Onde o conteúdo é king

Eu tava lá em Los Angeles, agora em Setembro, junto com o Grupo de Mídia, para saber das novas. O foco era a indústria do Entretenimento, incluindo os Estúdios, Filmes, TVs, Shows, Esportes, o uso de “product placement” e todo o sistema daí decorrente.

Uma comitiva de quase 80 pessoas, 50 deles mídias que voltaram muito bem informados.

Como de hábito, muita coisa nova a conhecer e a digerir. Alguns destaques para dividir:

a) Há uma clara crise no mercado americano e a indústria do Cinema vendeu 30% menos tickets até agora. Cresce a importância das receitas internacionais (hoje iguais a 2/3) e também da América Latina (cresceu 66% o número de ingressos nos últimos 10 anos);

b) O investimento em Cinema / Conteúdo está bem mais conservador / menos arrojado e há uma procura intensa por soluções já testadas anteriormente, sejam elas de novos episódios de séries bem sucedidas, como também de “remakes”;

c)  Incrível o uso que os Estúdios / Canais fazem da mídia out-of-home. Deve ser a principal categoria no ar e a cidade respira cada nova série;

d) Diferentemente do Brasil, existem empresas que gerenciam os talentos (atores, diretores, músicos, esportistas, etc), como a CAA (Creative Artists Agency) que conhecemos. O trabalho deles é o de criar oportunidades de negócios para os clientes. É um avanço no grau de profissionalismo do mercado;

e) No Annenberg Inovation Lab, ligada a USC – University of Southern California, entramos em contato com o Jonathan Taplin e com o Henry Jenkins. Eles estão encantados com o Brasil, com o nosso uso de redes sociais, com o potencial de maior acesso nas favelas do Rio e prometem uma grande conferência de estudiosos no Rio, em Agosto do ano que vem;

f) Existem alguns Media Labs de empresas de mídia, anunciantes ou universidades. Em visita aos estúdios da Warner deu para ver como usam o “eye tracking” para seguir os passos dos internautas e para testar programas de TV. Deram exemplo de um programa da Ellen, onde, com base em respiração, batidas do coração, suor e outras reações, criaram uma métrica para medir o engajamento. No exemplo, tiveram uma resposta 11 vezes acima da média;

g) Entre as visitas, uma ida ao L.A. Live, gerido pela AEG. Um complexo monstruoso e de super estrutura para shows, jogos e tudo o que se pensar. Essa AEG é a mesma que está construindo um estádio em Recife para a Copa do Mundo, junto com a Odebrecht. Eles querem montar uma rede no Brasil e esticar mais a presença de artistas internacionais por aqui. Um periquito me contou que eles vão ter um acordo aqui em São Paulo;

h) Genial a apresentação da FullScreen de um garoto (George Strompolos) que é talento puro. No currículo, passagens pela Wired, CNet, tendo ainda fundado o Youtube. Ele conta que daqui a 2 anos, 90% do tráfego da Internet será de Vídeo;

i) NBA está bem interessada em conversar por aqui e planejam um escritório em SP logo mais.

 

Enfim, pouca diversão, mas muito divertido.

 

Matéria publicada no blog do Meio&Mensagem,

na sessão Digital, na coluna Ponto de vista,

dia 28 de setembro de 2011,

por Geraldo Leite

 

 

postado por admin em 29 de setembro de 2011, 16:17   |   0 comentários