Próximo destino, Los Angeles

Grupo de Mídia SP diversifica destino das suas viagens internacionais em busca de novas experiências

Em setembro, o Grupo de Mídia São Paulo leva mais uma vez profissionais do setor para uma viagem internacional. O destino será Los Angeles, pela primeira vez. Os detalhes ainda estão em definição, segundo Geraldo Leite, sócio-diretor da Singular e responsável pelo conteúdo, pela seleção dos locais que serão visitados e pelos pacotes das viagens do Grupo de Mídia há três anos — antes disso, ele assessorava o conteúdo.

Mesmo sem ter tudo pronto, Leite adianta os direcionamentos dos locais a ser visitados em 2011. Já que a cidade é a sede de Hollywood, estão previstas visitas a estúdios que sejam interessantes pelo ponto de vista profissional, como aqueles que atuam com múltiplos canais de comunicação, por exemplo. O entretenimento também terá foco nessa viagem, no qual será estudado como as empresas especializadas comandam operacionalmente os grandes shows e vendem os ingressos e de que forma funcionam a indústria do cinema e as produtoras independentes, entre outros.

Outro ponto de interesse é nas grandes ligas, como NBA (National Basketball Association), NFL National Football League) e MLB (Major League Baseball), para que os participantes conheçam como é a construção do mundo do esporte, a entrega para o patrocinador, a negociação dos direitos de transmissão. Visita a laboratórios de mídia, ligados a grupos ou veículos de comunicação, completará a programação deste ano.

O Grupo de Mídia leva profissionais a destinos internacionais desde 1996, quase todos os anos — o programa não ocorreu em 1999, 2000, 2006 e 2008. Ao todo foram realizadas 11 viagens, sendo oito para Nova York, além de Lisboa/Madri, Tóquio e São Francisco/Vale do Silício. A programação acontece na primeira segunda- feira de setembro, quando é comemorado o Labor Day (Dia do Trabalho nos Estados Unidos), estendendo-se até a sexta-feira da mesma semana, período que geralmente coincide com nosso feriado de 7 de setembro.

Inicialmente, o rumo era sempre Nova York, visando um processo de internacionalização, para promover contato direto com os grupos de comunicação e ainda saber em primeira mão os planos que eles tinham para o Brasil. “Em um determinado momento os players começaram a ficar repetitivos e vários deles se instalaram aqui. Então, em 2005, passouse a considerar outros mercados”, lembra Leite. Hoje, para definir o local de destino, o principal critério levado em conta é: qual mercado pode acrescentar mais para o grupo — já que o objetivo primordial é promover o desenvolvimento profissional da categoria. Depois do retorno, o Grupo de Mídia costuma realizar um evento para apresentar uma síntese da viagem aos que não tiveram oportunidade de participar diretamente da experiência.

Evolução

Paulo Stephan, diretor geral de mídia da Talent, não perde uma viagem e promete estar em Los Angeles em setembro. Em sua opinião, o evento foi evoluindo, aprimorando-se até encontrar o formato ideal. De Nova York como destino para se conhecer a vanguarda da tecnologia, foram alçados voos maiores. Maior também é o número de participantes a cada ano: de seis pessoas na primeira expedição para cerca 50 profissionais na última. Para transportar essa quantidade de gente para visitar empresas instaladas no Vale do Silício, na Califórnia (como Google, Facebook e Twitter) foram necessários ônibus, van e carro. “A logística foi mais complicada, mas conseguimos e deu tudo certo”, comemora Leite, ao lembrar que, para obter esse resultado, estiveram envolvidas quase 70 pessoas do Grupo de Mídia.

Outra notável mudança foi na receptividade das companhias visitadas. Até poucos anos atrás, para fazer qualquer tipo de negócio no mercado internacional era preciso primeiro “vender” o Brasil, convencer sobre a seriedade do País. Agora, diversos setores econômicos locais têm visibilidade no exterior e o País tem despertado interesse e curiosidade mundiais. Em linhas gerais, é essa a percepção de vários participantes nas viagens internacionais do Grupo de Mídia. Nos últimos anos, eles são recebidos pelos principais executivos das companhias. “Lá atrás, falávamos com quem o Brasil interessava; agora o mercado brasileiro interessa ao alto escalão. Isso nos enche de orgulho”, pontua Stephan.

Alguns dos motivos para essa mudança são o cenário econômico favorável, a percepção de menor risco para fatos inesperados, a estabilidade da inflação, mesmo com reflexos da baixa do dólar. É preciso considerar ainda o fato de que o Brasil será a sede da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016. De acordo com Leite, há um grande interesse em entender a boa situação econômica brasileira de uma forma geral, e ainda no alto consumo de mídia em nosso País.

Gustavo Gaion, vice-presidente de mídia da Y&R e integrante dos grupos que visitaram Tóquio e São Francisco, também percebeu mudança no tratamento. Ele conta que, em muitas empresas, os brasileiros foram recebidos pelo presidente ou pelo CEO da empresa. “Isso ajuda a sinalizar que o Brasil de fato está na moda, que ganhou respeito”, avalia. Para ele, muitos estão querendo entender nosso modelo econômico e conseguir tirar algum proveito. “A gente não está, com exceção do setor digital, atrasado em relação aos outros países; temos competitividade”, garante.

A iniciativa do Grupo de Mídia dá oportunidade para os profissionais poderem conversar com as pessoas que decidem nas companhias, trocar experiências e, consequentemente, coloca o mídia brasileiro à frente. “Também levamos sugestões, e eles estão abertos a ouvir por causa da atual situação brasileira”, diz Gaion.

Flávio Rezende, diretor nacional de mídia da DPZ, afirma que os mídias brasileiros são muito respeitados no exterior. Ao tomarem conhecimento de que o Grupo de Mídia levará profissionais para uma determinada cidade, “as empresas e os meios de comunicação (ali sediados) fazem fila para receber os brasileiros, para conversar e debater com o grupo”, conta. A DPZ envia pelo menos quatro pessoas da área de mídia em cada uma dessas viagens. O próprio Rezende, que pretende ir a Los Angeles, foi em várias delas, exceto para São Francisco, no ano passado.

Além disso, nas visitas, os executivos das grandes companhias globais estranham receber um grupo formado por diversos profissionais de mídia de um mesmo país juntos, já que são concorrentes. “É verdade que as empresas competem entre si, mas as pessoas entendem que pode haver um desenvolvimento conjunto. Durante a viagem há um envolvimento dos participantes, que conversam, debatem e traçam comparativos sobre o que viram em cada visita”, conta Leite, que completa: “Em clima profissionalmente despojado, a viagem funciona como relacionamento entre os profissionais. É um evento muito rico para todos.”

Stephan confirma que os estrangeiros não entendem como o grupo pode ficar junto “sem se matar”. “Não existe isso que a gente faz em nenhum lugar do mundo. É difícil para eles entenderem que estamos juntos para aprender, para desenvolver habilidades e fazer o mercado crescer, sem sermos inimigos. Ali, forma-se uma união, que é boa para o mercado, porque se torna mais forte”, completa. Rezende concorda: “O Brasil é o único sem concorrência no conhecimento.”

Luciana Stellfeld, diretora de mídia da Heads, com sede em Curitiba, participou das duas últimas viagens e considera que ambas foram “incríveis”, com elogios à organização, da logística ao conteúdo. “Ter a possibilidade de assistir a palestras sobre o que há de mais moderno e sobre tendências de mídia em lugares como Tóquio e Palo Alto é um presente para quem trabalha na área. Cada minuto é enriquecedor e você volta com aquela sensação boa de ter usufruído o máximo e aprendido muito”, diz ela, referindo-se tanto ao programa oficial quanto à cultura e à população dos dois locais. “Sem falar na convivência, pois tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas. Na verdade, a linha que separa o que é ganho profissional do que é ganho pessoal é muito tênue, porque ser mídia faz parte da minha vida”, completa.

São Francisco

Também de Curitiba, Christiane Carvalho, diretora de mídia da OpusMúltipla, foi no ano passado, pela primeira vez, em viagem do Grupo de Mídia. O que mais chamou sua atenção foram as visitas às empresas do Vale do Silício, suas estruturas e a preocupação de todas com a questão do bem-estar nos ambientes de trabalho. Para ela, a experiência foi, sem dúvida, muito importante para seu desenvolvimento profissional, principalmente pela quantidade de informação recebida. “Além da oportunidade de relacionamento com outros profissionais, pudemos conhecer novas culturas e visões da comunicação.” Para ela, mesmo sendo um evento ligado à área profissional, ele acaba refletindo na vida pessoal, por ser um fator motivador.

Com planos de marcar presença em Los Angeles, Thiago Rodrigues, diretor de pesquisa de mídia da Neogama/BBH, também esteve em São Francisco. Para ele, a importância está na reciclagem profissional, no conhecimento e na vivência de modelos de mídia e negócio que estão em alta em locais onde, de uma forma ou de outra, o mercado se encontra em um patamar diferente. Entretanto, mais do que modelos de mídia, o que mais o  impressionou foram “os modelos de negócio que concentram talentos de todos os lugares do mundo e buscam apresentar aos consumidores formas inovadoras de se comunicar, entreter, socializar”.

Rodrigues destaca ainda o panorama do mercado de mídia nos Estados Unidos. “E também grandes tendências, como o poder do mobile — grandes players do mercado digital já desenvolvem seus produtos com um olhar mais voltado às mídia móveis —, as formas que as mídias tradicionais estão encontrando para se adequar ao mundo digital, a simultaneidade (quando se consome mais de uma mídia ao mesmo tempo), a sociabilidade, dentre outras”, completa o diretor. Para ele, a viagem traz melhorias, muitas delas intangíveis ou imensuráveis. “Mas existe um conteúdo rico que trazemos de bagagem — insights para o dia a dia ou ideias específicas, toda a troca de experiências entre os ‘viajantes’ e os profissionais que nos recebem…”, contabiliza.

Veterano das viagens internacionais, José Alves, diretor de mídia da P&M Publicidade e Marketing, participa da iniciativa desde a primeira vez, em 1996, deixando de ir somente ao Japão e na última de Nova York, mas com planos de estar na de Los Angeles. A experiência do ano passado, em sua opinião, foi bem diferenciada das demais. “Focou em empresas de tecnologia do Vale do Silício, incluindo redes sociais, Google, PlayStation etc. Foi um aprendizado e tanto”, destaca.

Saldo positivo

O diretor da DPZ relembra que nessas oportunidades foi que pôde conhecer o início da TV Bloomberg, do TiVo, da TV no celular, da primeira onda da web. “Pudemos ver todos os movimentos, as evoluções tecnológicas e presenciar funcionando efetivamente. Tudo na área de mídia é mais avançado lá, mas o ‘talento’ é igual.”

“O objetivo não é só estudar modelos de mídia e aplicabilidade diferentes, mas melhorar a cultura de mídia do profissional brasileiro, para que tenham referências”, diz Gaion, que pretende ir este ano para Los Angeles. Na sua visão, o cenário brasileiro é totalmente distinto de todos os países, porque aqui se trabalha no modelo full service, com mídia dentro da agência. “Nosso modelo, que foi muito criticado, é hoje o mais discutido e abordado em todas as partes. De antiquado, virou tendência. Isto confirma que estamos no modelo de negócios certo. E, em inteligência de mídia, somos competitivos”, orgulha-se.

Na viagem à Europa, cujo foco principal foi visitar os birôs de mídia, com essa atividade funcionando separada da agência criativa, Rezende conta que teve a oportunidade de ouvir que estar junto, como no modelo brasileiro, era um facilitador. “Vimos softwares, otimizadores, métricas, pesquisas… Não é nada excepcional. Quanto a modelo, é o nosso mais cobiçado”, completa.

As viagens do Grupo de Mídia permitem, no mínimo, reciclagem profissional e pessoal, na opinião de Rezende. “Somos estudiosos do comportamento. Não dá para ficar inerte. Precisa sair do seu mundo

e pôr o pé num país estrangeiro, para reciclar e aperfeiçoar o talento”, considera. Além da importância profissional, Stephan destaca ainda o ganho para a vida pessoal. “Conhecer uma realidade diferente, outra cultura, te dá bom senso, aguça sua sensibilidade e muda sua visão de vida.”

O fato é que todos contam sobre suas experiências com muita empolgação. Todos os entrevistados nesta reportagem desejam estar em Los Angeles e fazem coro ao dizer que quem foi uma vez quer ir novamente. Para dar mais oportunidade aos profissionais, o Grupo de Mídia comercializa cotas — geralmente são dez — para veículos de comunicação, com direito a um volume de mídia (tempo durante coffee-break, almoço ou jantar patrocinado pelo veículo, quando pode expor material e falar sobre seu produto). Desde 2010, uma pessoa definida pelo patrocinador pode acompanhar a viagem. Dessa forma, os custos de passagens e hospedagem de cada participante são reduzidos em cerca de 50%. Geraldo Leite (que não comercializa as cotas) destaca que essa é uma estratégia interessante para todos, especialmente para aqueles que precisam bancar sua viagem.

Mercado sui generis

Entre todos os destinos, um dos que mais chamaram a atenção foi o Japão, em 2009, pelas suas características. “A cultura é completamente diferente. Apesar de todo o desenvolvimento da tecnologia, o japonês tem forte hábito de ler jornal, por exemplo”, relembra Gustavo Gaion, vice-presidente de mídia da Y&R. Para ele, essa viagem foi importante para enriquecer o portfólio e a cultura dos participantes, mas o conhecimento é pouco aplicável aqui. Mesmo assim, há ganhos.

“O poder do conhecimento e da informação dá segurança no momento de tratar com clientes, veículos e com a própria agência. Conhecer como funciona a mídia em outro país é enriquecedor ao nosso trabalho”, avalia. Ainda em relação ao Japão, o executivo da Y&R conta que “o mais bacana foi verificar a utilização da telefonia móvel como plataforma de acesso à internet e também como plataforma para a proliferação da TV digital. Dessa forma, podemos prever o que vai acontecer aqui”.

Luciana Schwartz, diretora geral de mídia da Neogama/BBH, fez parte da turma que visitou Tóquio. “Foi inesquecível. A melhor (viagem) de toda a minha vida”, destaca. Para ela, o principal foco da viagem de 2009 foram as tendências de mercado. “Passados dois anos, apenas alguns recursos, que lá já fazem parte da rotina, estão sendo implementados aqui no Brasil”, conta. Entre eles, ela cita a comunicação com QR-Code — graças aos milhares de modelos de celulares a preços muito baixos, com consumo intenso por parte de toda a população, mais efetivo ainda junto ao jovem, em todos os ambientes de Tóquio e redondezas, em todos os ambientes possíveis e imagináveis, como metrô, calçadas, lojas etc.

Luciana lembra ainda das “TVs em todas as plataformas de massa como metrô, restaurantes, magazines, drugstores; a interatividade da TV no celular e como o mercado comercializa. Formatos em TV fracionados, mídias exteriores com painéis de todos os formatos, com diferentes recursos visuais e interativos. Milhares de laptops e videogames portáteis, de todos os fabricantes, com diversas versões, das mais arrojadas e atuais”.

A diretora da Neogama/BBH também não esquece a forma de abordagem dos vendedores nas grandes lojas de departamento, que subiam em balcões e anunciavam os produtos em oferta no microfone. Destaca ainda os mangás. “Eles fazem parte da cultura japonesa e tempos depois ganharam força na mídia brasileira — como atualmente as histórias infantis do Naruto, a febre dos Pokémons, Digimons e todos os mons possíveis que chegaram ao Brasil um pouco mais tarde”, completa.

Para Luciana, que tem planos de se juntar ao grupo novamente em 2011, a experiência proporcionada é imbatível. Desde as apresentações técnicas dos principais players às visitas aos canais de comunicação, houve um aprendizado sobre os hábitos e costumes do japonês. “O universo de possibilidades aumenta consideravelmente devido à oportunidade de estarmos com profissionais da área de comunicação e mídia, com uma imersão total em um país como o Japão. Impossível não sair mais rico de conhecimento”, elogia, ao observar que, por mais que a internet conecte todo o mundo e forneça todo tipo de informação, estar in loco é uma experiência única.

“Tóquio me assombrou”, revela Flávio Rezende, relembrando a visita feita à Dentsu, maior agência do mundo, que tem 3,6 mil empregados. “Lá não tem vaidade como no Brasil. Atrás de uma grande ideia tem um grupo, e não apenas um indivíduo. O valor que dão para o grupo de pessoas foi o maior aprendizado no Japão”, revela o diretor nacional de mídia da DPZ.

Matéria Publicada no Meio&Mensagem, em 20 de junho de 2011

Por Sandra Regina da Silva

postado por admin em 23 de junho de 2011, 10:09   |   0 comentários