A Sopa de Concha do Geraldo

Uma delícia musical acaba de chegar à praça. Peneirado com paciência na lavra da canção popular brasileira (décadas de 30 e 40, a chamada época de ouro), o CD Sopa de Concha (Biscoito Fino, 2010) é imprescindível.

Geraldo Leite é o responsável pela pesquisa. Depois de ouvir centenas de 78 rotações no acervo do Instituto Moreira Sales, selecionou uma batelada de lados B faiscantes, que surpreendem pela originalidade e bom humor.

Mas, péra aí! Geraldo Leite? Não era aquele do grupo Rumo, de São Paulo? Lembrou bem, caro leitor. E você deve se lembrar também do precioso álbum (com o fim do LP, acabou a expressão álbum. CD nunca será álbum, reparou?) Rumo aos Antigos, de 1981. Ali o grupo revivia canções brejeiras e inesquecíveis de histórica extração, puxadas pela voz de Na Ozzetti, em arranjos primorosos.

Pois os bons tempos voltaram, e ainda melhores. Geraldo chamou seus velhos chapas para reviverem as belezas quase desconhecidas de um monte de craques. Observe, Dunga, isto é que é seleção!

Meu amor não me deixou (Ary Barroso) – 1938 Sopa de concha (Alcyr Pires Vermelho / Pedro Caetano) – 1941 Gosto mais do outro lado (Assis Valente) – 1934 Fale mal… mas fale de mim (Ataulfo Alves / Marino Pinto) – 1939 Menina das Lojas (Lamartine Babo) – 1937 Honrando um nome de mulher (Gadé e Valfrido Silva) – 1936 Pão duro (Assis Valente / Luiz Gonzaga) – 1946 Vida apertada (Ciro de Sousa) – 1940 Furacão (Antônio Nássara / Haroldo Lobo) – 1940 Juro… Juro (Paulo Pinheiro / Valdemar Silva) – 1939 P.R.Você (Cristovão de Alencar e Hervé Cordovil) – 1937 Pão com banana (Cícero Nunes / Portelo Júnior) – 1939 Não resta a menor dúvida (Hervé Cordovil / Noel Rosa) – 1935 Você não tem razão (Pedro Caetano) – 1937 Não tenho juízo (Haroldo Lobo e Wilson Batista) – 1944

É o império do maxixe assanhado, do samba brejeiro, da marchinha sapeca, da crítica social bem humorada. E que parcerias! São 15 faixas, todas recriadas com o maior bom gosto pelos eternos amigos do Rumo: Ná Ozzetti, Akira Ueno, Luiz Tatit, Pedro Mourão, Hélio Ziskind, Gal Oppido, Paulo Tatit e Zecarlos Ribeiro. Gente que enveredou por rumos diversos, mas que demonstra, tantos anos depois, sua afinidade musical e seu amor pela música brasileira. Os corinhos e refrões vocais, os solos (Ná, cada vez melhor), os duetos à la Joel e Gaúcho, estão primorosos.

E, claro, rolou uma pá de bambas fazendo a festa no estúdio. O violonista Swami Jr. fez os arranjos e direção musical, dividindo as bases com Miltinho Mori (bandolim e cavaquinho). E tem Mario Manga nas cordas, André Mehmari no piano, Toninho Ferraguti (acordeon), Nailor Proveta (sax e clarineta), Mané Silveira (sax alto), Ubaldo Versolato (sax tenor), Nahor Gomes e Júnior Galante (trumpetes), Valdir Ferreira e Tiquinho (trombones), Popó da Tuba e Fábio Tagliaferri da viola.

Pronto! Quer ouvir um disco perfeito, maravilhoso, sensacional? Graças ao Geraldo Leite, temos uma penca de canções para assobiar o ano todo. Pro resto da vida. E quinze novos motivos para considerar a música brasileira a mais rica, diversificada e bem humorada do mundo!

veja: site da sopa

 

postado por admin em 1 de abril de 2010, 10:38   |   0 comentários