2010 – um ano pra lavar a égua (e a alma)

Foi quente, difícil e polêmico, mas, no saldo final, curadas (?) as cicatrizes da batalha política mostraram um Brasil maior, mais forte, que cresceu apesar da crise mundial. Com uma nova e majoritária classe média, explodiram o consumo e os investimentos em mídia.

Mídia por esporte

Com a incrível cartada do Brasil de levar ao mesmo tempo a Copa do Mundo e a Olimpíada, há uma virada já  nunciada e outras por vir que farão o “drive” do esporte ser muito mais do que as corridas. Além do grande investimento em infra e mudanças na comunicação de muitos produtos não típicos do setor, novos veículos e formatos estão em formação. É ficar ligado e, se der, já reservar com antecedência.

Figurinhas & Figurões

Neste ano de Copa, a surpresa, mais do que o Brasil tropeçar nos próprios pés, foram as figurinhas da Editora Panini fazerem tanto sucesso com a garotada quanto com os quarentões. E isso tudo pelo suposto “superado” canal tradicional das bancas. É aguardar por novas ações que devem vir por aí.

A gente se vê por ali

Todo ano temos que olhar para a Globo pra ver o que nos apontam (ou aprontam). É sempre elogiável o investimento em novas produções, a abertura para experimentações, a ponto de chegar na qualidade, beleza e profundidade de um “Afinal, o que querem as mulheres?”. Ou o rigor, valor e profundidade de uma “Dalva & Herivelto”. Como também é prazeroso notar a nobreza da “A Grande Família”, que ainda tem talento, fôlego e criatividade para continuar no ar. Ou até mesmo para concordar que estava na hora da parar e repensar o “Casseta & Planeta”, antes que se desgastasse sem volta. Tem ainda uma nova cartada, que é quase uma replicada no conceito de rede, em que eles costuram um acordo com todas as afiliadas locais, para unir, numa espécie de “Rede Globo Online”, todos os portais locais das afiliadas que, em geral, já têm grandes jornais também. Aí sim, num conceito brasileiro, teremos finalmente uma verdadeira alternativa “Glocal”.

Edugazine

Foi no MaxiMídia. O Civita, em entrevista pro Salles Neto, disse que a educação tem mais a ver com o DNA da Abril, do que investir em TV, jornal ou rádio. Foi brilhante não só por enxergar a oportunidade, mas também como reposicionamento frente aos demais grupos.

É mole?

Foi um momento especial da TV por assinatura, que chegou a 10 milhões de lares (cresceu mais de 25%!) e a 30 milhões de espectadores. Essa tendência deve continuar com a provável liberação do mercado para as Teles. Isso fará com que o “ad share” da telinha, que já contava com o surpreendente 63% da TV aberta no ano, se for somada à TV paga, possa se aproximar dos quase 70% – o que significa que todos os demais meios terão que lutar pelos restantes 30%.

Pra fazer uma social

Foi o ano da internet em vários sentidos. Ela passou a ser mídia básica, presente em quase todos os planos e avançou no “share” de publicidade (próxima a 5%). O xodó foram as redes sociais, explodindo no Facebook e no Twitter, sem contar a liderança total do Orkut. E ainda contou quase que com o “carimbo” oficial de atenção e validade do Grupo de Mídia, através de uma viagem exclusiva para exploração no Vale do Silício. Só faltou o chamado “turning point”, já comum em outros países onde os investimentos em mídia explodem. Mas como o Brasil é o Brasil, desde que o samba começou, ninguém pode apostar se e quando virá.

“I” que dúvida

Este foi também um ano de tentativa de reação da mídia impressa, um pouco mais organizada, frente aos “desígnios do tempo”. O Murdoch foi fundamental ao fechar o acesso gratuito online dos veículos dele e estamos ansiosos pelos resultados. Lá fora a imprensa sofreu mais e teve que cortar na própria carne, perdendo bons talentos. Aqui, algumas “reformas de loja”, posturas de maior integração física de equipe e de produtos, mas sem grandes mudanças de substância. Acabou até o JB, mas parece que tinham esquecido de avisar. A esperança está no iPad, que integra os meios em uma plataforma única, abraçando impressos e eletrônicos num guarda-chuva digital e muito amigável. É uma virada conceitual, de produto, de hábitos, de espírito e, quiçá, de prática. Mas eu não colocaria minhas fichas todas aí.

Em quem acreditar?

Eita eleição nhém-nhém-nhém! Não havia dia que eu não recebesse mensagens contra ou a favor, como se meu voto dependesse só de me convencerem da “verdade”. E tome mentiras e manipulações, principalmente pela internet. Isso reflete a politização da mídia e, é claro, uma exagerada partidarização. Aquela tal ideia de que a mídia impressa relata os fatos com isenção e que o lugar da opinião da empresa é só nos editoriais, claramente sucumbiu. Foi uma pena, pois não tínhamos como debater, de fato, como seres pensantes. Eu, numa dessas, não lia nem de um lado, nem do outro. Preferi seguir como leitor da Piauí, que, além de bem escrita, é surpreendente e bem-humorada.

A nova frente de batalha

A lei Cidade Limpa e as evoluções tecnológicas deram corda para o surgimento das chamadas mídias digitais out-of-home. Quem olhar fundo, vai ver que a DOOH é o meio de comunicação que mais cresce no “share”, pelo segundo ano consecutivo (55% em 2009 e 73% até agosto de 2010). Elas permitem o sonho de direcionar a mensagem para um só lugar (um bairro, um quarteirão, uma loja, um elevador, um consultório, uma pessoa, etc) e, inclusive, atingir as pessoas em um certo “estado de espírito”. Tem até um novo conceito, o da “5ª. Tela”. E é aí também que uma nova batalha dos grandes “players” está sendo formada. Quem primeiro enxergou o potencial do meio foi o Grupo Bandeirantes, que entrou em ônibus (TVO), no Metrô (TV Minuto) e, neste ano, nas praias (TV Orla) e nas rodoviárias (NextMídia).

A TV Globo, com o foco em mobilidade, começou a experimentar o ambiente em acordo com a Bus Mídia. Neste fim de ano, mais quatro passos importantes: a Abril comprando o controle acionário da Elemidia, os Diários Associados entrando na Look Indoor (já em Brasília); como também no Rio de Janeiro foram feitas novas associações com empresas de ônibus pelo jornal O Globo (On Bus) e pela TV Record (BusTV). Se essas já eram boas soluções em si, temos agora outros ótimos potenciais de integração de mídia. A conferir em 2011: O SBT vai superar a crise financeira e voltar a ser “feliz”? A parceria Editora Globo e Condé Nast vai trazer mais respiro ao setor? A exclusividade da Record nas Olimpíadas vai atrair a mesma resposta da Globo e mudar o padrão de comportamento do mercado?

Após Casas Bahia + Pão de Açúcar, Perdigão + Sadia e Itaú + Unibanco, que nova surpresa de consolidação o mercado nos reservará? O sucesso da Netflix nos EUA, disponibilizando filmes online por preços muito acessíveis, chegará também ao Brasil?

Enfim… Boas festas para todos. E beijos nas crianças!

 

Matéria publicada pelo Meio & Mensagem no dia 13/12/2010,

escrita por Geraldo Leite.

postado por admin em 20 de dezembro de 2010, 20:00   |   0 comentários