2013 – “Jodido pero contento”*

Um ano sofrido para a maioria. Em que a crise não só bateu à porta, como também entrou pela sala de muitos “players”.

Ano super político, mesmo sem eleições. Em que o povo foi às ruas para reivindicar mudanças e cada parte, entrincheirada, meio surda, entendeu o que quis. Empurrados pela mídia social, debatemos questões históricas e histéricas. Quando a mídia e a justiça passaram de relatoras e intérpretes, a personagens. Um tempo sem vento, lento, arrastado, com novas e velhas notícias convivendo sem parar. Como numa fábula sem moral; uma piada sem final. Em que fizemos estádios e não estradas. Corredores e não metrôs. Puxadinhos e não aeroportos. Deixando a educação para quando o pré-sal chegar. Parados em nossas cidades, parecemos prontos pra tudo, quem sabe até pra Copa.

Pode, Arnaldo?

O que parecia o limite (65% de participação da TV Aberta), virou só referência e a TV Aberta chegou a 67%. Se juntarmos o pequenino “share” de 5% da TV por Assinatura (que vai atingir 20 milhões de lares), poderemos, quem sabe, no ano que vem, destinar 3/4 da verba total de mídia do país para a TV. E assim sobrarão somente 25% para todos os sites e portais, títulos de mídia impressa, emissoras de rádio e alternativas de OOH. Pelo jeito, vai faltar lenço.

Tela Viva

O “share” da TV no bolo cresceu e vem mais por aí. Antes, os Anunciantes faziam um comercial na TV, uma página 4 cores na Mídia Impressa e ainda punham o Outdoor nas ruas com o tema da campanha. Hoje o vídeo, ou melhor, o audiovisual, ganhou a batalha e a tecnologia já exporta o tal “vídeo” adaptado, para os diferentes “devices”: Mobiles, Digital OOH, Youtube, TVs conectadas e por aí vai. O codinome disso tudo é Multitelas, mas por mais que sejam multi, ainda não juntamos todas. As TVs só falam da 2ª. tela com os portais deles. Os portais, chamam para os Tablets, os Mobiles,… O DOOH ainda fica de fora. Alo Ibope e Ipsos, quando vamos ver, de fato, um ranking geral dessas telas?

2 + 2 = 5

É fato que a TV cresce no bolo e é verdade também que o nosso 100% não é 100% (?!?) e sim 100 e tanto, pois todo o buxixo da nova mídia, principalmente do que vai para o Google e o Facebook, não está oficialmente registrado, daí o meio só aparecer com 4% de “share”- o que também não é verdade. Mas qual a verdade afinal? Na viagem do Grupo de Mídia pra Londres vimos que lá o Google declara (pois é obrigado) que as “buscas” representam 40% da receita deles; portanto, estariam subestimados no Brasil. Sim. Como também estão os Jornais e as Rádios – pois só poucos declaram. De fato, num ótimo movimento, a Internet vem dando acesso à um tipo de empresa que não “existia” – isto é não aparecia. Mas agora elas podem falar com públicos mais específicos e isso é verba de propaganda. Só que são verbas não computadas. Google e Facebook, por todo o Brasil, como numa espécie de whiskey Drury´s dos novos tempos, são os novos “come quietos”. Mas atenção, relaxe, você também vai ser comido…

Onofre

O número que aparece no “share” da Internet pode ainda não ser tão grande, mas o consumo do meio, sim. Ele mostra a nossa explosão de participação no ranking mundial das redes sociais e um incrível crescimento de celulares com acesso. Já temos computador em mais da metade dos lares, quase todos eles estão conectados, chegando a mais de 100 milhões de brasileiros. E ainda temos a promessa do governo federal de levar a Internet para 40 milhões de domicílios até o fim do ano que vem; o que deixará a Internet com mais de 60% de penetração nacional. Enquanto isso, nós ainda não juntamos as partes, como se o On e OFF não fossem lados de uma mesma moeda: as pessoas. Chega de gavetas separadas. Precisamos de informações e análises integradas. Neste ano da Copa, se elas não forem perfeitas, vamos na linha do Bom Senso FC.

Big Idea

Até então, mesmo com toda a discussão atrasada entre o On e o Off, nosso mercado de comunicação por aqui ficava só no papai / mamãe: quem anuncia, quem compra espaço, quem vende, quem tem conteúdo… Só que a numerália, o imenso arquivo de dados sobre consumo que transborda a toda a hora e o fácil acesso à eles, foi construindo o tal do Big Data, onde os números “se rebelam” e, ali no lero com os números de cada parte, anunciantes e veículos começam a se entender direto. E já que falam a mesma língua, surgem oportunidades para novos negócios. Se for por aí e se isso crescer bem, quem precisará de agencia e, quiçá, de mídia? Sei que estou exagerando e não é bem assim. Mas é pelo menos um pouquinho…

Big coisa – o retorno

Em tempos de reciclagem, o velho e o novo convivem muito no OOH agora retomado. Os números envolvidos também são “big” e não são mais daquelas empresas em que você evitaria comprar um carro usado. Dá pra notar a mídia melhor na cidade (caso de SP), com a qual se convive mais (até pelo trânsito) e volta e meia te surpreendem em locais que não eram usuais (pelo digital). Nesses novos tempos, pela atual linha de concessões públicas em metrôs e aeroportos, a propaganda digital e a estática convivem em um todo, em ambientes que já estão melhor planejados e preservados. Esses são os novos números da hora: milhões e milhões de pessoas nas ruas, nos ônibus, nos metrôs, trens, elevadores, supermercados,… É um conceito de “second screen” só que mais visual, dinâmico, na mobilidade das pessoas. E que pra ser avaliado em toda a sua complexidade, deveria tomar por referência uma única plataforma. Pra fazer isso só juntando os Anunciantes, Agências e Veículos. Quem se habilita?

A Formiga e o Elefante

Mesmo com fôlego e a boa vontade do mercado, o futuro não está garantido para a TV. O Brasil resiste, mas o tempo (o das pessoas) luta contra. Ela chegam em casa mais tarde. Recebem mais mensagens durante o dia. Querem comodidade, informações e companhia o dia todo. E muitas vezes não é na TV que vão encontrar isso. Principalmente as novas gerações que são mais autônomas com os seus celulares. Hoje há uma aliança estratégica do pequenino (no tempo da comunicação) Twitter, com a gigante TV. Um fala do outro e faz com que a audiência se retroalimente. Isso pode ser ótimo para ações táticas de produtos de forte liderança, mas também pode desandar quando a qualidade não está em jogo – e sim o efêmero, o não usual – e aí, já viu, pode sobrar para a marca.

A conferir em 2014:

2013 postergou algumas questões básicas para o próximo: A jogada do Jeff Bezos da Amazon ao adquirir o Washington Post, trará a virada necessária de reposicionamento do Jornal? A esperada união das rádios pelo país, mais a transferência das AMs para o FM, vai fazer o mercado valorizar mais o Rádio? A entrada da GfK em todas as redes, menos a Globo, mudará o padrão de pesquisa de TV do mercado? E se os números forem muito diferentes, virá um 3º. Instituto para verificar com quem está a verdade? A revolução do conteúdo “conectado e adicionado” das SmarTVs vai chegar forte por aqui também? E a boa aceitação da Netflix no Brasil, pode atrapalhar um pouco o futuro da TV por Assinatura? …

Enfim, que todos tenham um belo ano, uma grande copa e vamos lutar ainda mais para melhorar esse país e a nós mesmos. E beijos nas crianças!

*(de uma canção da Buika)

Geraldo Leite
Sócio-diretor da Singular, Arquitetura de Mídia
Dezembro de 2013, publicado em Meio & Mensagem

postado por admin em 11 de dezembro de 2013, 12:56   |   0 comentários