Brazil zil zil

Há um processo cada vez maior de internacionalização da nossa comunicação, como extensão natural dos rumos da economia. O Brasil cresceu de importância como um mercado mais atraente que no passado, porque as empresas internacionais hoje precisam dos países emergentes e porque, além de tudo, faremos dois grandes eventos mundiais.

Como se diz: “é a economia, estúpido” e esse processo de internacionalização do nosso país vem de longe. No começo era praticamente só a política da boa vizinhança com o Zé Carioca e a Carmen Miranda. Daí, topamos conversar, mas sob condições: “se o Tio Sam pegar no tamborim”, nós vamos misturar o Bebop com o samba, Miami com Copacabana e o chiclete com banana.

E assim, na nossa jinga musical com DNA de Macunaíma, usamos a nossa desculpa de só falar português num continente latino, para ir avançando a passos beeem lentos.

Primeiro vieram as empresas de fora e conquistaram certos setores do mercado. Depois, já num raciocínio de integração mundial, os grandes grupos de comunicação internacionais tomaram posse no nosso mercado das agencias de propaganda, controlando, praticamente, quase todas as principais.

Por fim, chegamos onde estamos: muitas marcas internacionais presentes, outras que querem chegar e nós, brasileiros, com muitas empresas nacionais, mas poucas marcas com capacidade de competição fora daqui.

A novidade agora, mesmo após a limitação do capital estrangeiro nos veículos eletrônicos (pois dependem de concessão governamental), é que parece haver uma nova onda de interesse pelo mercado de mídia brasileiro que se reflete em lançamentos de edições nacionais de jornais internacionais (N.Y. Times e F. Times), pela entrada no ano passado de novas Editoras (Conde Nast, por exemplo), do fortalecimento de grupos de TV por Assinatura (Fox, Turner, HBO,..), de grandes players internacionais na área de educação e até mesmo, segundo dizem, de possibilidades de parcerias em emissoras de TV abertas.

Isso tudo sem contar uma nova categoria de veículos de comunicação que nasceram globais, como o MSN, Google, Facebook, etc.

Se é esse o caminho e se não há como resistir ao capital internacional, deveríamos procurar agir estrategicamente e adotar certas posturas para garantir o nosso futuro. Entre elas:

* Valorizar o nosso conteúdo nacional e regional;

* Atrair mão de obra qualificada;

* Incentivar a formação de talentos locais;

* Preservar a geração de empregos e de oportunidades no país;

* Treinar mais profissionais especializados no mercado internacional;

* Construir marcas nacionais para competir internacionalmente;

* Exportar mais produtos nacionais ligados à Cultura e à Tecnologia;

* Criar produtos brasileiros de comunicação para os canais internacionais.

Enfim, já que vamos miscigenar, que tal garantir um lugar na janelinha?

 

Geraldo Leite

geleite@sing.com.br

sócio – diretor da Singular, Arquitetura de Mídia

 

Esse texto também pode ser visto através do facebook da Singular

 

 

 

 

postado por admin em 17 de outubro de 2012, 19:12   |   0 comentários

A Mídia e o Mídia valorizados

Premiações reconhecem talentos e estimulam o desenvolvimento do mercado

O prêmio mudou minha vida, foi um divisor de águas. É com estas palavras que a consultora de mídia e branding, Eliane El Badouy, primeira ganhadora do Prêmio de Mídia do Estadão, há 16 anos respondeu sobre a importância da premiação. Assim como Badu, como é conhecida no mercado publicitário, muitos outros profissionais de mídia desfrutam hoje de uma visibilidade que normalmente está mais direcionada para a área de criação, com importantes e concorridos prêmios que valorizam mais a criatividade do que a estratégia. Nesse sentido, vale destacar que se o mídia não tivesse programado determinado veículo a peça não ganharia destaque e, consequentemente, poderia nunca chegar a ganhar o prêmio.

As iniciativas dos veículos de colocar o holofote também na mídia fez diferença na qualidade dos profissionais de hoje em dia, acredita Adriana Favaro. Para a diretora geral de mídia da Loducca, a divulgação dos nomes dos profissionais de mídia em premiações de criatividade coloca um novo olhar sobre a área e dá visibilidade para pessoas que trabalham em silêncio. “A geração de mídias mais novos está se beneficiando desses novos formatos de premiação, que contemplam também a estratégia e avaliam a inteligência por trás do plano de veiculação”, afirma, acrescentando que as modalidades que analisam teses e monografias são as que mais estimulam e promovem o estudo e o desenvolvimento técnico do profissional.

Idealizador do Prêmio de Mídia do Estadão e um especialista na área, Geraldo Leite, sócio-diretor da Singular – Arquitetura de Mídia, concorda que premiações de mídia são relevantes e é enfático em afirmar que mais do que estreitar o relacionamento entre os profissionais da área de mídia das agências e os veículos, as premiações sérias que contemplam a mídia contribuem para o crescimento profissionais dos executivos e a análise de teses, monografias e trabalhos que desenvolvem o mercado como um todo.“Os prêmios mais interessantes são sempre os que não estejam atrelados à veiculação de anúncios ou comerciais nos veículos que os outorgam. Deve haver independência na inscrição e estimular também a participação de universitários, analisando profundamente os trabalhos, teses e monografias que desenvolvam temas que contribuam para o desenvolvimento da área e de todo o mercado”, afirma Leite.É o caso da premiação de Eliane Badouy, que mesmo trabalhando em uma agência pequena no interior de São Paulo, ganhou o grand Prix com uma monografia denominada “Deuses Midiológicos”, concorrendo com grandes como DPZ e Leo Burnet. Sua monografia afirmava que não poderia se considerar só dados demográficos e psicográficos como base para segmentar o target. “Na realidade, não é a condição de renda e nem de localização geográ-fica que faz com que o consumidor escolha ou se aproxime de conteúdos ou de veículos. O que faz isso é orientação de valor que a pessoa tenha.”

EXPLICANDO LÁ EM CASA

Geraldo Leite acrescenta que a formação de um júri para analisar os trabalhos de mídia inscritos deve ser bem eclético e especializado, com profissionais que entendam de pesquisa, planejamento, sociólogos, professores, dirigentes de agência e também experientes profissionais de mídia, pois a responsabilidade é muito grande.“A escolha de determinado trabalho traz em seu bojo também o desenvolvimento do mercado e da própria pessoa. Lembro de vários ganhadores de Pernambuco, profissionais e estudantes, que hoje moram em São Paulo e trabalham em grandes agências graças ao reconhecimento de seus estudos e teses, uma vez que algumas categorias avaliam as monografias com critérios específicos de ineditismo, resultado, forma de tratamento ou profundidade.”Para Paulo Camossa, que concorreu recentemente ao Prêmio Folha UOL de Mídia 2012, faz parte do job description do mídia provar sua eficiência e demonstrar efetivamente os resultados de todas as verbas do cliente investidas em propaganda. Assim, ter um trabalho destacado por uma premiação do setor só facilita e estimula os profissionais.Vindo de Pirassununga, no interior de São Paulo, para estudar propaganda, Camossa logo se encantou com uma aula de planejamento de mídia e não demorou em se destacar na área. “O problema é que a atividade do mí-dia é tão abrangente que minha vida inteira tentei explicar para minha avó a minha profissão, mas não consegui”. Felizmente, com as premiações dedicadas a destacar o profissional de mídia, hoje já está mais fácil esta explicação.

COM A PALAVRA DO ANUNCIANTE

Lançado em 2011, o Prêmio Folha UOL de Mídia, que este ano reconheceu Luiz Fernando Vieira, presidente do grupo de Mídia, como profissional do ano, é diferenciado ao selecionar as peças através de pesquisa do Datafolha e também escolher o profissional de mídia de destaque com voto dos anunciantes.“É um prêmio inovador e diferenciado porque reconhece os melhores trabalhos de mídia segundo o público mais importante do mercado da comunicação, os próprios anunciantes”, explica Marcelo Benez, diretor de publicidade da Folha de S. Paulo. Na primeira edição, em 2011, a pesquisa contou com a avaliação de mais de 200 dos maiores anunciantes do país, que elegeram as campanhas com o melhor planejamento de mídia e premiaram os responsáveis por elas.“Queremos oferecer uma contribui-ção ao mercado para dar ainda mais visibilidade ao trabalho do mídia no Brasil”, diz Enor Paiano, diretor de Publicidade e Comércio Eletrônico do UOL.O executivo acredita que o sucesso da premiação, que está em sua segunda edição, deve-se ao formato inovador e único no país: quem define o ganhador do Prêmio é quem contrata o serviço do mídia, conclui Enor.Além do prêmio de Mídia do Estadão e do Prêmio Folha Uol de Mídia, o mercado ainda conta com premiações tradicionais que também reconhecem o profissional de mídia ou peças específicas destacadas por sua originalidade, resultado ou eficácia. É o caso de Cannes, do Prêmio de Mídia globo Nordeste, o Top of Mídia, evento promovido pelo grupo RBS, o Prêmio Abril, o Mídia Festival da APP, o prêmio da Central de Outdoor e ainda o Mídia Bus em Recife. Muitos deles, além de destacar as peças veiculadas em seus veículos, também reconhecem o trabalho das equipes e de seus líderes da mídia, incentivando o desenvolvimento técnico da mídia e valorizando soluções que fortaleçam o profissionalismo no setor.

 

Matéria publicada na CENP em revista nº 32 – SETEMBRO / 2012

A revista e a publicação podem ser encontradas em: http://www.cenp.com.br/Site/cenp_revista/EDICAO_32.pdf

 

 

postado por admin em 2 de outubro de 2012, 20:56   |   0 comentários

Rádio: simpatia é pouco

É estranho ver o Rádio chegar aos 90 com tanta unanimidade em simpatia, mas sem a mínima indicação de um incremento de uso.

Muito do que se valoriza hoje em comunicação, já está no Rádio há anos: a interatividade (as 10+, a conversa com o comunicador, …), a prestação de serviços (tempo, trânsito, “ouvinte repórter”,…), a mobilidade (sempre seguiu com o ouvinte), a voz da comunidade, a agilidade, a integração do on/off, e por aí vai.

E não por isso muda a percepção do valor do Rádio para a propaganda.
Tudo bem que é um meio pulverizado, que não é fácil ter acesso a todas as informações necessárias, que as redes disponíveis ainda não atendem a todos os públicos e praças, que é necessária uma certa iniciação para saber escolher bem as opções disponíveis, que nem todas as praças tem pesquisa de audiência,…tudo bem, mas isso faz parte do jogo e não por isso deveria ser descartado de antemão.

O Rádio não é programado suficientemente nem pelos próprios anunciantes e agencias locais que, supostamente, conhecem melhor as emissoras como ouvintes e sabem do retorno que oferecem.

Falar que a culpa é das agências que não reconhecem o meio ou tem outros interesses é exagerar. Jogar a questão para os anunciantes que não o aprovam, quando recomendado, também não resolve. Embaralhar tudo e dizer que a culpa é da própria indústria do Rádio e de seus empresários que não investem o suficiente, é colocar o problema para baixo do tapete – há um sistema que não enxerga, um modelo que desvaloriza, um “eco sistema” (radialistas, programadores, produtoras, empresas de pesquisa,…) que se sente meio menosprezado, desprestigiado, tratado como se fosse um profissional ou um setor de segunda classe.

Para pensar na solução e satisfação do Rádio tem que saber levar por música.

Que não se pode cair no “nhem nhem nhem” que o Martinho da Vila já falava.

E precisa lembrar que, como na canção do Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, o Rádio quer flores em vida.

Geraldo Leite é sócio-diretor da Singular, Arquitetura de Mídia

postado por admin em 1 de outubro de 2012, 17:17   |   0 comentários