Meu Brasil brasileiro…

Chega de falar de Inflação, Eleição, Mensalão, Apagão, Tufão, Seleção, Damião, Afeganistão,… Por mais que as coisas enrosquem, por mais que lá fora esteja preto, sempre sobram umas esperançinhas aqui, como da notícia agora de bater o recorde de colheita agrícola. É claro que o Brasil tem que evoluir, tem muito a avançar, mas também tem oportunidades como nunca vimos. É hora de olharmos pra dentro e de fazermos a nossa lição de casa.

Há uma espécie de revolução silenciosa (e saudável) acontecendo no mundo da mídia. É uma espécie de “redescoberta” do Brasil, uma vez que cresce a necessidade de dados sobre o interior do país.

Os profissionais de mídia brasileiros tomam por base os dados do “Marplan” (agora Ipsos-Marplan) para entender os hábitos da população.

Esses dados, tradicionalmente, eram apurados nos nove principais regiões metropolitanas (S. Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Brasília e Fortaleza). E sempre foram projetados como representativos da média da população brasileira – muito embora isso não seja exatamente o fato, é a praxe.

Dessa forma, praticamente todo planejamento de mídia nas agências começa por levantar a penetração dos meios no segmento de público que se quer atingir.

A boa nova deste ano é que não falamos mais de nove, mas sim de treze mercados, pois recentemente entraram Goiânia, Vitória, Florianópolis e o Interior de São Paulo.

Na saída dos nove pros treze, mesmo que se perca parte da história, pois nem tudo é comparável, o ganho em representatividade é considerável.

Olhando pros grandes números com base na análise do primeiro trimestre dos treze mercados e agora isso parece estar muito consolidado, podemos dizer que a penetração dos principais meios junto aos brasileiros se divide praticamente de três formas:

a) quem fala com todo mundo = só a TV ( 97%);

b) quem fala com 3/4 = só o Radio ( 74%) e

c) quem fala com praticamente a metade da população, em geral mais qualificada = Internet ( 51%)/ Jornal impresso e online (50%)/ Revista impressa e online ( 46%)/ DOOH (44%) e, em seguida, tendendo a se aproximar pelo crescimento mais recente, a TV por assinatura ( 40%)

Desse retrato e olhando para a história dos trimestres anteriores, chama a atenção, além da estabilidade da TV Aberta, os crescimentos de TV Paga (contínuo), Revistas e DOOH (bem recentes) e Internet (agora mais devagar). Por outro lado, só o Rádio tem uma certa indicação de queda (de 78% para 74%).

Como a sede por informação no Brasil não para, a mais recente novidade é que até o final do ano, cinco novos mercados entrarão na análise de forma esporádica: Rondônia, Natal, Manaus, São Luiz e Interior do Rio Grande do Sul, o que vai ampliar o conceito de “Brasil” para permitir mais análises regionais.

Ufa, evolução à vista e ói nóis aquí tra vez.

 

Geraldo Leite

geleite@sing.com.br

sócio-diretor da Singular, Arquitetura de Mídia

 

postado por admin em 20 de agosto de 2012, 20:35   |   0 comentários

E o mundo não se acabou…

“Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar…” (Canção de Assis Valente, interpretada pela Carmen Miranda)

Nada como um dia após o outro, não?

Estou pensando na cobertura exclusiva das Olimpíadas em TV Aberta, pela TV Record. Não entro no mérito se é melhor ou pior – até acho que podia melhorar – mas o que eu gosto mesmo é de saber que a vida continua no dia seguinte. Me lembro daquela questão da eterna luta do PT e do Lula para ser presidente. O que eu defendia na época é que a gente tinha que ser corajoso e testar. Ou viria um governo que mudaria tudo e eles teriam razão; ou ainda seria uma lástima, não melhoraria nada e nunca mais pensaríamos em elegê-lo de novo. Mas pelo menos teríamos tentado renovar e pensar de uma forma diferente.

No fim, como é natural, não foi nem uma coisa, nem outra, mas é certo que evoluímos muito. Acho que, independente das visões ideológicas, nesse período de FHC e Lula, nós, como nação, avançamos como nunca; na minha opinião, principalmente no segundo período do Lula.

O fato de ter conseguido distribuir renda em tão pouco tempo, foi uma ação extraordinária, algo pra todos nós nos orgulharmos – mas isso não quer dizer que só os governos do PT podem ser bons para o país; e o próprio mensalão (ops, ação penal 470…), precisa ser melhor explicado.

Mas por que essa conversa doida de misturar uma cobertura esportiva de TV com política?

Porque, da mesma forma, nessa disputa da exclusividade das Olimpíadas, o nosso mundo de mídia não acabou.

A Record tem procurado fazer o melhor, conquistou um evento de primeira e montou uma grande operação.

A Globo tem se portado de forma bem digna, apresentando as notícias da melhor forma possível, dando o crédito quando necessário e usando as suas armas para não perder a audiência.

O SBT e a Band, que não entraram na parada, ainda conseguem tirar uma casquinha, aproveitando as oportunidades que surgem.

As TVs por Assinatura tem uma chance extraordinária de alcançar volumes de audiência através do SporTV (com 4 canais!), ESPN e Band  Sports.

E o Terra vem fazendo uma bela cobertura pela Internet com dezenas de canais em “real time”; o que consegue atender à todos os tipos de preferência de esporte.

É um enorme evento e que vai muito além dos aficionados. Tanto que nos EUA, a NBC, que investiu mais de um bilhão de dólares (atenção: eu disse um Bi!!!) pelos direitos exclusivos, vem tendo, nessa fase de deprê econômica e moral norte-americana, a melhor audiência das últimas competições.

Coisas como essas nos ajudam a entender o real valor dos players e o papel da comunicação. A pensar melhor nas estratégias para os produtos e não só naqueles ligados ao Esporte. Isso nos faz entender o que deveria ser ajustado nas Olimpíadas do Brasil e mostra uma bela maturidade do mercado brasileiro. É bom ficarmos mais espertos e continuarmos evoluindo.

 

Geraldo Leite

geleite@sing.com.br

Sócio-diretor da Singular, Arquitetura de Mídia

 

 

postado por admin em 8 de agosto de 2012, 20:11   |   0 comentários