Nunca tantos tivemos voz.

Acho que se o Graham Bell não tivesse mandado alguém atender aquele bendito aparelho, ele teria inventado o rádio e não o telefone.
A nossa história, o jeito com que a comunicação evoluiu, sempre teve esses dois lados: o papo de um com o outro e o recado de um pra muitos.
Na comunicação um por um, além do saudável papear do dia a dia, está o correio, o telegrama, o bilhetinho, o telefone, o sms, o skype, … No começo não era fácil. Para mandar uma carta para nós brasileiros, por exemplo, antes tinha que sair um navio… Imagine o custo.
O recado de um pra tantos, como bem lembrou o Alex Periscinoto, começou nas igrejas e depois se espalhou com os jornais, os folhetos, explodindo com as rádios e as tvs. Esse sempre foi um terreno fértil para os políticos disseminarem ideias e botar fogo nas discussões. Tanto que alguns meios eletrônicos já nasceram como concessões públicas, numa tentativa do Estado controlar tudo o que se falava e o que se debatia.
Essa tal nova ordem digital em que vivemos é quem bagunçou essa questão; e, felizmente, para o bem de todos nós.
Antes, as pessoas viajavam e mandavam uma mensagem por telegrama ou por telefone, dizendo: “Olha, cheguei!”. Agora, com as redes sociais, a gente viaja junto na maionese, tem uma experiência de cada lugar, recebe o álbum de fotos quase que ao vivo, mais alguns vídeos da pessoa, já compartilhado entre todos os amigos.
É que antes não dava para falar tudo; nesses novos tempos dá pra falar demais, demais da conta, mais do que precisa, a conversa vai e vem, transborda e, de fato, vira banal… E em sendo assim, o que se comenta hoje não terá a mínima importância amanhã e “vamo que vamo”.
Vivemos um tempo como se todos nós tivéssemos que escolher entre ser “voyeur” (fico só olhando), celebridade (me exponho ao máximo) ou “paparazzo” (registro tudo dos outros).
Nunca tantos tivemos voz. Nunca tantos falaram pra nós.
E ainda assim a gente não se entende…

Geraldo Leite

sócio diretor da Singular, Arquitetura de Mídia (junho 2012)

postado por admin em 27 de junho de 2012, 13:59   |   0 comentários

ComKids no Fórum Brasil de Televisão

O início de junho foi marcado pelo segundo ano de parceria do ComKids com o Fórum Brasil de Televisão. Esta parceria possibilita ao ComKids criar uma interface com o mercado de televisão e debater questões envolvidas no setor infantil.  O Fórum é um dos mais importantes eventos brasileiros da área, que realiza debates e oferece espaço para a viabilização de negócios nacionais e internacionais para produtores independentes e distribuidoras de conteúdos de todos os portes, as principais redes de TV aberta pública e comercial; e os canais de TV por assinatura nacionais e estrangeiras.

Neste ano, o ComKids coordenou um painel com o tema Mídia para crianças: desafios para a sustentabilidade do setor, em que questões importantes foram discutidas dentro do setor de produção infantil. Entre os painelistas estiveram Marcos Bitelli, da Bitelli Advogados ; Rodrigo Olaio, da Mono3D ; Rafael Sampaio, da ABA;  Cecília Mendonça, da Disney (Argentina) ; além de  Paul Jackson do Media Smart (Inglaterra), que apresentou o conceito e as ações sobre a sua iniciativa, levando em consideração o mundo tecnológico e publicitário no qual as crianças de hoje estão inseridas. Veja a apresentação de Paul Jackson.

Desde sua criação, o ComKids busca caminhos de debate da sustentabilidade e especialização do setor infantil no Brasil e na América Latina

 

 

postado por admin em 21 de junho de 2012, 19:12   |   0 comentários

A TV dos nossos sonhos

Dia 13 de junho aconteceu o 1º Seminário Internacional SONHAR TV, na Cinemateca Brasileira.  SONHAR TV é uma iniciativa de um movimento para discussão coletiva que visa a refletir sobre o que seria uma hipotética televisão dos sonhos para a sociedade;  e traz em sua proposta o comprometimento com a pesquisa dos agentes envolvidos na produção e consumo da televisão, estimulando novas maneiras de compreender e desenvolver formatos televisivos.

O seminário contou com a participação de Beth Carmona, que falou sobre a sua vasta experiência em programação e produção de conteúdo infantil no Brasil e na América Latina, trazendo uma reflexão sobre um modelo de televisão baseado em inovação e comprometimento com as peculiaridades da infância.

Além do seminário, o SONHAR TV também lançou uma plataforma na internet pensando na discussão plural sobre a televisão, onde podem ser encontrados vídeos e textos relacionados ao tema discutido também nos seminários.  http://sonhar.tv/

 

postado por admin em 19 de junho de 2012, 17:54   |   0 comentários

Sonhar TV realiza seu 1º Seminário

Evento sobre mídia televisiva e comunicação contará com as presenças de convidados internacionais, além de Luiz Erlanger (Globo), Beth Carmona (ComKids) e Luiz Calainho (L21)

A primeira discussão sobre o futuro e os desafios da televisão no Brasil e as reflexões acerca de como, de fato, esse meio deveria ser, já tem ia e horário para acontecer. O projeto Sonhar TV, que foi criado para suscitar um debate sobre as melhorias da mídia televisiva, realizará seu primeiro seminário nessa quarta-feira, 13, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

O primeiro evento oficial do projeto, que é uma idealizado da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura em parceria com a Sociedade Amigos da Cinemateca, contará com as presenças de profissionais do meio televisivo e com especialistas em mídia e em entretenimento. Ao longo de todo o dia, o evento receberá palestras do diretor geral da Central Globo de Comunicação, Luiz Erlanger, da consultora e diretora de conteúdo da Singular, Arquitetura de Mídia e diretora geral do ComKids, Beth Carmona, do sócio da consultoria Mandalah, Lourenço Bustani e do produtor musical e sócio da holding L21, Luiz Calainho.

Como convidado internacional, o seminário Sonhar TV trará o diretor geral do Annemberg Innovation Lab e especialista em comunicação e entretenimento, Jonathan Taplin, que falará sobre transmídia e crítico de TV colombiano e colunista do jornal El Tiempo, Omar Ríncon.

O seminário é gratuito, bastando apenas fazer a inscrição no site para participar. Toda a programação também será transmitida ao vivo, através do site da Sonhar TV.

Fonte: meio&mensagem

postado por admin em 13 de junho de 2012, 14:01   |   0 comentários

Anunciante tem de optar entre ser herói ou vilão

A apresentação do projeto internacional Media Smart precedeu uma discussão sobre os desafios para a sustentabilidade na comunicação com as crianças, no Painel Comkids, que foi moderado por Geraldo Leite, da Singular Arquitetura de Mídia, durante o Fórum Brasil de Televisão.

O co-fundador e presidente do Media Smart, Paul Jackson, da Inglaterra, detalhou quais os princípios que nortearam a implantação do seu trabalho, basicamente voltado a promover nas crianças o entendimento para separar a realidade da mídia/publicidade. Em inglês, trata-se de passar aos pequenos o “media literacy” (algo como alfabetização para a mídia), e o foco são crianças entre 6 a 11 anos. Jackson, ele mesmo vindo do mercado de publicidade, acredita que as empresas precisam definir que papel vão desempenhar para as gerações futuras: se o de herói ou de vilão. Estima-se que as crianças já passam até 60 horas por semana consumindo mídia num ambiente não supervisionado pelos pais, que muitas vezes não têm o domínio tecnológico para acompanhar os filhos. O próprio Jackson questiona se é recomendável que crianças naveguem livremente num ambiente como o Facebook.

Paul Jackson detalhou alguns princípios que norteiam o trabalho, denominado RAC (Responsible Advertising & Child Program). Segundo ele, num levantamento em diversos países, verificou-se que quatro entre cada cinco pais acreditam que os filhos devem pensar criticamente diante da publicidade. O programa precisa ser desenvolvido junto a três agentes: indústria, especialistas e o governo. A organização preocupa-se com questões tanto a respeito do acesso irresponsável de crianças à mídia quanto ao de estímulo a consumo desenfreado de produtos não saudáveis. “Pela primeira vez na história, temos toda uma geração de crianças que corre o risco de morrer antes dos próprios pais”, observou Jackson, ao mencionar a questão premente da obesidade infantil. A Media Smart atua em oito países da Europa e encontrou parceiros nos Estados Unidos e também o México.

Em debate que se seguiu à apresentação, Cecilia Mendonça, dos canais Disney da América Latina, pontuou a preocupação ética da marca em não associar seus personagens a produtos que possam estar relacionados a hábitos não saudáveis. Rodrigo Olaio, da produtora Mono3D, que tem feito várias coproduções internacionais de animação, citou exemplos de como é necessário se manter uma postura ética em criação de conteúdo quando se está trabalhando com diferentes culturas.

O advogado Marcos Bitelli, por sua vez, acha que quanto menos o assunto for do campo do direito e mais da responsabilidade de cada um, melhor: “É melhor que não haja leis. E que a responsabilidade seja exercida por quem pensa na produção. É necessário se valer de uma inteligência multidisciplinar para tanto”. Bitelli, no entanto, destaca que a tendência à restrição de propaganda sobre produtos voltados ao público infantil é inegável no Brasil, o que a seu ver é um complicador para a sustentação do negócio publicidade. Rafael Sampaio, da ABA (Associaçao Brasileira de Anunciantes) também observou o risco de se perder a sustentabilidade de um negócio como a programação infantil na TV aberta. Para ele, caso se proíba a veiculação de propaganda para estas atrações – como já ocorreu em alguns países da Europa e em parte do Canadá –, isto se configuraria em “tragédia”. Ele, no entanto, percebe uma tendência desfavorável de que algumas empresas que antes anunciavam já não o façam mais, por terem caído numa espécie de índex de produtos condenáveis. “Leva-se algum tempo para um produto ser reinventado”, observou. Sampaio chamou a atenção também para o risco de se concentrar o financiamento da produção audiovisual infantil somente em dinheiro vindo de fontes governamentais: “A publicidade é interessante porque são muitos que assinam o cheque” , assinalou.

Matéria publicada no site Tela Viva,
dia 5 de junho de 2012,
por Edianez Parente.

postado por admin em 11 de junho de 2012, 14:58   |   0 comentários