Me Mídia

Dias desses recebi aqui na Singular um cartãozinho com bônus de R$ 150,00 para anunciar a minha empresa no Google, como uma gentileza da minha locadora. A idéia é genial: com uma mecânica bem simples, qualquer empresa pode ter acesso à mídia e sentir um gostinho da resposta que ela pode dar.

E quando sentir esse retorno, por um preço suportável, as empresas vão, cada vez mais, entender que esse gasto é um investimento.

No passado, quando ainda floresciam os classificados pessoais nos Jornais, nós havíamos chegado à uma situação próxima: com pouco dinheiro, por vezes calculado em espaço, outras em número de palavras, você conseguia usar a força da mídia para tratar também de questões caseiras – vender uma bicicleta, oferecer um serviço, uma coleção de revistas, de discos, etc.

É o mesmo raciocínio anterior, só que agora com as vantagens da pegada digital, onde você não tem que ir na loja, onde você pode falar só com quem te interessa, onde você fala com diferentes regiões ou países, onde a mídia fica bem mais acessível, pois você só gasta, digo, investe, o que tem.

Sabe aquilo que a gente classifica erroneamente como anunciante? – que é o simples fato de alguma empresa anunciar (pois anunciante em si não é uma categoria) – agora pode ser estendido para muito mais gente, muito mais empresas.

É como se a carteira de “clientes” de um veículo como o Google (e poderia ser o UOL, IG, Terra, Globo.com, etc) fosse tão ampla como é a nossa população – como se a forma de classificar fosse quase que mais pelo RG, do que pelo porte da empresa.

Isso é uma revolução de amplitude de mercado; balança o Projeto Inter-Meios jogando-o num outro platô. É como se o nosso mercado “anunciante” fosse invadido do dia pra noite por milhões de diabinhos, quem sabe chineses, ávidos por usar a mídia de outra forma – a seu favor.

A mídia, que já faz parte da minha vida (como profissão), vai também passar a fazer parte da vida de todos; se temos o direito de respirar, agora também temos de anunciar. E assim, quem sabe, todo o mundo também vai saber outras coisas que as pessoas fazem.

Poderia até pegar um exemplo de quem vos escreve. Por exemplo: quem já ouviu falar no notável CD “Sopa de Concha” (www.sopadeconcha.com.br )?

Viu, rapidim, já fiz meu comercial…

 

 

Geraldo Leite

geleite@sing.com.br

março 2012

 

postado por admin em 14 de março de 2012, 15:04   |   0 comentários

Cidades em Revista

É sempre bom quando surgem idéias realmente novas. Por isso me encanta a estratégia da Editora Abril de lançar revistas de circulação regional ou por cidade, sob medida para certos mercados.

A partida se deu em julho passado com o lançamento da “Interview” que hoje tem três diferentes edições (Brasília, Porto Alegre e Curitiba). Em seguida, em outubro saiu a “Mais Feliz” no Nordeste, com 3 capas diferentes, de acordo com a região. Tem ainda uma terceira chamada “Casa Imóvel” voltada atualmente para os mercados de Manaus e Belo Horizonte.

A estratégia adotada para cada um deles é totalmente diversa.

A “Interview” é mais voltada pro leitor típico de revista (mais qualificado), com 100% do conteúdo editorial para cada cidade (as personalidades, os locais, a conversa da comunidade,…), com circulação basicamente gratuita para um mailing selecionado de assinantes Abril e só uma pequena parcela disponível para compra avulsa nas bancas.

Já a “Mais Feliz” é para a mulher nordestina da nova classe emergente, com grande tiragem (100 mil) e preço de banca muito acessível (R$1,00). A “Casa Imóvel”, por fim, tem um tema mais específico, mas cai sob medida para quem se interessa no assunto – tanto o leitor, quanto o mercado imobiliário local.

Até então esses mercados recebiam quando muito, além das Vejinhas locais, uma ou outra edição de Casa Cláudia – no mais, as opções regionais, quando existiam, eram só de reparte dos anúncios e não para o público.

Dessa feita falamos de revistas voltadas para determinada cidade ou região, com um conteúdo fundamentalmente local, o que lhes permite um grau de aproximação com o leitor tão grande quanto em SP ou Rio, onde o foco temático pode ser complementado pela prestação de serviços dos títulos.

Ao mesmo tempo, sendo da “família Abril”, significa que há um belo incentivo para um tratamento mais profissional da informação; isto é, limites mais claros entre o papel dos jornalistas e do mercado anunciante. Incentivos também para qualificar novos talentos locais, como também para desenvolver o meio Revista pelo interior do país.

Lembro que há alguns anos encontrei em Boston uma emissora de Rádio AM muito bem sucedida que era especializada em Heavy Metal. É claro que seria melhor se estivesse numa FM, pois é lá que se encontrava o público mais jovem. Mas como lá não havia espaço, o público jovem foi achar a sua emissora preferida na “velha” AM.

São atitudes como essas, janelas de oportunidades, que conseguem construir cenários menos óbvios, pois o hábito de consumo das mídias, por mais que retrate a realidade, está aí para ser mudado e evoluído – e o nosso país, a nossa mídia, podem andar juntos.

Nós já tínhamos algumas boas revistas semanais dos Jornais locais (as “Sunday Magazines”). Sempre existiram também revistas locais, com um forte foco nas colunas sociais que, muitas vezes, não são tão isentas no tratamento dos fatos.

Agora essas praças vão poder comparar e escolher. Bom pro leitor, bom pro mercado.

O encanto da leitura de uma Revista fica valorizado, preservado – é aquele tempo dedicado à algo que lhe dá prazer ou que informa, que entretém e por aí vai.

Ver essa iniciativa surgir da líder, a Abril, é ainda mais admirável.

Matéria publicada no blog do Meio&Mensagem,

na sessão Digital, na coluna Ponto de vista,

dia 27 de  fevereiro de 2012,

por Geraldo Leite.

 

 

 

postado por admin em 1 de março de 2012, 19:01   |   0 comentários