No tempo da delicadeza

Viagem ao Japão e ao paraíso digital

Como um Kasato Maru às inversas, lá fomos nós, Grupo de Mídia e simpatizantes, para o adorável mundo novo da mídia japonesa.

O grupo tinha já uma boa experiência em visitas internacionais, mas o Japão, como se sabe, é um mundo a parte. Foram surpresas atrás de surpresas, entre elas a boa notícia de nos ver bem na foto, comparativamente.

A nossa procura inicial, razão básica da escolha, era, evidentemente, todo o desenvolvimento tecnológico da mídia nesse ambiente tão propício às novidades.

Na visão dos meios mais tradicionais, deu para notar um fôlego surpreendente dos jornais – o que não se previa em um ambiente tão desenvolvido de internet.

Foi ótimo avaliar os diferenciais da mídia, frutos da cultura japonesa, como os mangás e animes, e ver que, somos fortes na mídia social, com o Orkut, lá eles são o paraíso do setor, pois 37% dos blogs do mundo estão em japonês, mais do que os blogs em inglês (36%).

Nesse banho de notícias japonesas, ganhamos substância e repertório ao conhecer os projetos de grupos locais, como Shogakukan, Nikkei, Kahosha, Gizmodo, Asahi Shimbum, StarJapan, Marubeni, Digital Signage Consortium e Video Research, além das visitas à Dentsu e à NHK.

Na internet quem domina é o Yahoo, e é interessante ver como eles conseguiram construir essa liderança, apesar de toda a hegemonia das principais corporações japonesas.

É claro que a internet é muito importante (detém 9% do share de publicidade), mas o mobile, de certa forma, rouba um pouco a cena, principalmente pela maneira com que está presente na vida dos japoneses: 86% usam o celular, 70% têm 3G, eles fazem mais “buscas” no próprio aparelho do que no PC, o e-commerce pelo celular já é realidade e, principalmente, fazem do celular uma mídia móvel de uso contínuo.

E o uso do celular varia por target: as meninas de colégios, por exemplo, levantam com o alarme do celular, ouvem rádio no caminho (cel.), acessam pelo trem (cel.), desligam na aula (ufa), batem papo na saída da escola (cel.)… e, quando chegam em casa (acredite), algumas tomam banho com ele (cel.), pois é à prova d’água!

Até no caso do mangá, uma das maiores tradições do jovem japonês, o mobile já responde por 80% das leituras digitais.

Uma das cenas mais tocantes, para mim, foi ver o senhor Satoshi Iwamoto, da Editora Shogakukan, especializada em mangás, confessar a nós o dilema que eles vivem nesta nova era digital em decorrência do que ele chama de síndrome do “search engine”.

Explico: como há grande procura de conteúdos do mangá por internet, e como isso se faz através de uma busca e não através das revistas, a maioria dos jovens se concentra naquelas histórias-chave, só vai no “filet”, e isso faz com que se pulem etapas no processo, aumentando daí a concentração – é como se o novo, que se valoriza muito pela comparação com os demais, tendesse a ficar bem mais limitado aos chavões.

Enfim, leituras tropicais de um país encantador, onde tradição, modernidade e mídia nas veias fazem parte da vida.

Artigo publicado em julho de 2009 na  Revista Proxxima, sessão Meio Digital

postado por admin em 15 de agosto de 2009, 18:43   |   0 comentários