Já era no Rádio

Sabe aquela história que você não aguenta mais ouvir falar? Que um meio não acaba com o anterior, que ele recicla, reage e tal e tal e tal… Pois não é que vou entrar nessa conversa novamente? E quase que pela porta dos fundos, meio que soprando naquelas brasas que o Adoniran cantava que ainda tinham muito fogo para dar. Pois é… a ficha que agora cai para alguns pensadores digitais ou pitonisas do futuro, é que o tal futuro, aquilo que ninguém pode afirmar nada, pois quando for checar já mudou de novo, precisa respirar nas raízes, nos fundamentos, naquilo que até o seu avô já sabia: no Rádio.

Não é papo – isto é, só um pouco. Pela segunda vez leio nesses dias que a Internet pra poder evoluir e de fato, se aproximar mais das pessoas, para falar mais coisas relevantes, tem que cada vez mais se espelhar no Rádio.

É o Rádio que sabe seguir as pessoas, que vai junto, informa, distrai, orienta, dá dicas, alivia o tempo sozinho e ainda presta serviços o tempo todo.

Acho legal que as pessoas pensem assim agora, por mais que o mundo tenha mudado. Se a gente parar e pensar, vai ver que várias coisas que hoje a gente diz são interativas, já estavam no Rádio, só não sabíamos que se chamava assim. Pegue as músicas. A maioria das emissoras ligadas na audiência sempre deixa para os ouvintes a escolha das 10+ e quanto mais eles pedem, mais são tocadas.

Em que lugar é mais comum você conseguir falas com o veículo de comunicação, não só pra pedir música, mas sobre o trânsito, reclamar do buraco, do prefeito que mentiu, comentar sobre o jogo, a novela,… e tua voz está lá. Aliás, cantando junto – só que no carro, em casa, no Ipod e por aí vai.

O Rádio está sempre em reciclagem – falo tanto como empresa (pois luta pra sobreviver), quanto no modelo de programação ao vivo. O Rádio, quando ao vivo, não tem passado, tudo é momento, instantâneo, à la Lulu Santos, é como a onda no mar, em movimento constante – no fundo, realiza o que as equipes de jornalismo pela Internet sonham em ser.

Só que no Rádio é pela voz, por gente, por sentidos e sentimentos, onde o jeito de falar direciona, simplifica e envolve mais. E ele fala, repete, detalha, simplifica, comenta… Tanto que o “fato” é só a primeira questão, o ponto de partida, pois daí em diante, a repercussão da notícia e as diferentes visões é que vão compor o todo.

Quem diria.. O mundo não dá voltas? Quem melhor enxergou, anteviu, foi o grande e dialético Millôr Fernandes: “O homem é um animal que adora tanto as novidades que se o rádio fosse inventado depois da televisão haveria uma correria a esse maravilhoso aparelho completamente sem imagem”. Genial! Assim era o Millôr.

 

Geraldo Leite

sócio diretor da Singular, Arquitetura de Mídia (abril 2012)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

postado por admin em 3 de abril de 2012, 18:17   |   0 comentários

Me Mídia

Dias desses recebi aqui na Singular um cartãozinho com bônus de R$ 150,00 para anunciar a minha empresa no Google, como uma gentileza da minha locadora. A idéia é genial: com uma mecânica bem simples, qualquer empresa pode ter acesso à mídia e sentir um gostinho da resposta que ela pode dar.

E quando sentir esse retorno, por um preço suportável, as empresas vão, cada vez mais, entender que esse gasto é um investimento.

No passado, quando ainda floresciam os classificados pessoais nos Jornais, nós havíamos chegado à uma situação próxima: com pouco dinheiro, por vezes calculado em espaço, outras em número de palavras, você conseguia usar a força da mídia para tratar também de questões caseiras – vender uma bicicleta, oferecer um serviço, uma coleção de revistas, de discos, etc.

É o mesmo raciocínio anterior, só que agora com as vantagens da pegada digital, onde você não tem que ir na loja, onde você pode falar só com quem te interessa, onde você fala com diferentes regiões ou países, onde a mídia fica bem mais acessível, pois você só gasta, digo, investe, o que tem.

Sabe aquilo que a gente classifica erroneamente como anunciante? – que é o simples fato de alguma empresa anunciar (pois anunciante em si não é uma categoria) – agora pode ser estendido para muito mais gente, muito mais empresas.

É como se a carteira de “clientes” de um veículo como o Google (e poderia ser o UOL, IG, Terra, Globo.com, etc) fosse tão ampla como é a nossa população – como se a forma de classificar fosse quase que mais pelo RG, do que pelo porte da empresa.

Isso é uma revolução de amplitude de mercado; balança o Projeto Inter-Meios jogando-o num outro platô. É como se o nosso mercado “anunciante” fosse invadido do dia pra noite por milhões de diabinhos, quem sabe chineses, ávidos por usar a mídia de outra forma – a seu favor.

A mídia, que já faz parte da minha vida (como profissão), vai também passar a fazer parte da vida de todos; se temos o direito de respirar, agora também temos de anunciar. E assim, quem sabe, todo o mundo também vai saber outras coisas que as pessoas fazem.

Poderia até pegar um exemplo de quem vos escreve. Por exemplo: quem já ouviu falar no notável CD “Sopa de Concha” (www.sopadeconcha.com.br )?

Viu, rapidim, já fiz meu comercial…

 

 

Geraldo Leite

geleite@sing.com.br

março 2012

 

postado por admin em 14 de março de 2012, 15:04   |   0 comentários

Cidades em Revista

É sempre bom quando surgem idéias realmente novas. Por isso me encanta a estratégia da Editora Abril de lançar revistas de circulação regional ou por cidade, sob medida para certos mercados.

A partida se deu em julho passado com o lançamento da “Interview” que hoje tem três diferentes edições (Brasília, Porto Alegre e Curitiba). Em seguida, em outubro saiu a “Mais Feliz” no Nordeste, com 3 capas diferentes, de acordo com a região. Tem ainda uma terceira chamada “Casa Imóvel” voltada atualmente para os mercados de Manaus e Belo Horizonte.

A estratégia adotada para cada um deles é totalmente diversa.

A “Interview” é mais voltada pro leitor típico de revista (mais qualificado), com 100% do conteúdo editorial para cada cidade (as personalidades, os locais, a conversa da comunidade,…), com circulação basicamente gratuita para um mailing selecionado de assinantes Abril e só uma pequena parcela disponível para compra avulsa nas bancas.

Já a “Mais Feliz” é para a mulher nordestina da nova classe emergente, com grande tiragem (100 mil) e preço de banca muito acessível (R$1,00). A “Casa Imóvel”, por fim, tem um tema mais específico, mas cai sob medida para quem se interessa no assunto – tanto o leitor, quanto o mercado imobiliário local.

Até então esses mercados recebiam quando muito, além das Vejinhas locais, uma ou outra edição de Casa Cláudia – no mais, as opções regionais, quando existiam, eram só de reparte dos anúncios e não para o público.

Dessa feita falamos de revistas voltadas para determinada cidade ou região, com um conteúdo fundamentalmente local, o que lhes permite um grau de aproximação com o leitor tão grande quanto em SP ou Rio, onde o foco temático pode ser complementado pela prestação de serviços dos títulos.

Ao mesmo tempo, sendo da “família Abril”, significa que há um belo incentivo para um tratamento mais profissional da informação; isto é, limites mais claros entre o papel dos jornalistas e do mercado anunciante. Incentivos também para qualificar novos talentos locais, como também para desenvolver o meio Revista pelo interior do país.

Lembro que há alguns anos encontrei em Boston uma emissora de Rádio AM muito bem sucedida que era especializada em Heavy Metal. É claro que seria melhor se estivesse numa FM, pois é lá que se encontrava o público mais jovem. Mas como lá não havia espaço, o público jovem foi achar a sua emissora preferida na “velha” AM.

São atitudes como essas, janelas de oportunidades, que conseguem construir cenários menos óbvios, pois o hábito de consumo das mídias, por mais que retrate a realidade, está aí para ser mudado e evoluído – e o nosso país, a nossa mídia, podem andar juntos.

Nós já tínhamos algumas boas revistas semanais dos Jornais locais (as “Sunday Magazines”). Sempre existiram também revistas locais, com um forte foco nas colunas sociais que, muitas vezes, não são tão isentas no tratamento dos fatos.

Agora essas praças vão poder comparar e escolher. Bom pro leitor, bom pro mercado.

O encanto da leitura de uma Revista fica valorizado, preservado – é aquele tempo dedicado à algo que lhe dá prazer ou que informa, que entretém e por aí vai.

Ver essa iniciativa surgir da líder, a Abril, é ainda mais admirável.

Matéria publicada no blog do Meio&Mensagem,

na sessão Digital, na coluna Ponto de vista,

dia 27 de  fevereiro de 2012,

por Geraldo Leite.

 

 

 

postado por admin em 1 de março de 2012, 19:01   |   0 comentários

Muita fé no ar

Nos últimos anos, a Televisão Brasileira ganhou um grande conteúdo Religioso em sua Programação, porém essa prática não é regulamentada e bastante controversa. Confira abaixo o debate e a opinião dos Profissionais de Mídia, Professores e Políticos (dentre eles, Geraldo Leite da Singular Arquitetura de Mídia), que foram convidados pelo Meio & Mensagem, sobre o significado e o efeito dessa conduta no setor publicitário.

Confira abaixo a matéria do site Meio & Mensagem

A qualquer hora do dia ou da noite, em pelo menos uma emissora de TV aberta do País, é certo: há um pastor evangélico celebrando cultos ou transmissão de eventos religiosos ligados às tradições protestantes, sobretudo as neopentecostais, que compram espaços comerciais na TV e o utilizam para transmitir seus conteúdos religiosos.

Os maiores clientes religiosos das emissoras do País são a Igreja Universal do Reino de Deus (bispo Edir Macedo), Igreja Mundial do Reino de Deus (apóstolo Valdemiro Santiago), Assembleia de Deus Vitória em Cristo (pastor Silas Malafaia) e Igreja Internacional da Graça (missionário R.R. Soares). Esta foi responsável pela aquisição de uma faixa no horário nobre da Bandeirantes, cujo contrato foi renovado em dezembro de 2011 por mais um ano, apesar de especulações do mercado de que a negociação não seria mais interessante para a família Saad, proprietária do grupo. Outras denominações menores e religiões também compram espaço publicitário para veiculação dos seus programas. Afiliadas e emissoras locais também reproduzem a prática em suas regiões. Procuradas para apresentar sua posição, Rede Record, Rede TV e Band — que mantêm contratos com igrejas — preferiram não se pronunciar.

Os católicos também estão na TV, embora tenham optado pelo caminho das concessões, e mantêm canais como Rede Vida, TV Canção Nova ou TV Aparecida.

A questão é polêmica. Por um lado, argumentam, trata-se de liberdade comercial e que as igrejas são clientes como os de quaisquer setores. Por outro, a prática seria ilegal, já que emissoras não poderiam transferir espaço que foi garantido mediante concessão pública. E, enfim, discute-se se a presença de clientes dessa natureza não canibaliza o mercado, derruba a audiência e diminui as alternativas de veiculação comercial tradicional.

Meio & Mensagem convidou profissionais de mídia, professores e políticos e perguntou qual é o significado e o efeito dessa conduta no setor publicitário. Embora todos concordem que a atitude é questionável, apresentam abordagens diferentes na interpretação do fenômeno: de questões jurídicas à percepção pública da presença dos telepastores na grade de programação das emissoras, o tema permanece sensível.

 

Luiza Erundina, deputada federal (PSB/SP) e integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia, Informática e ComunicaçãoCrédito: Sergio Lima/Folhapress

Congresso

“Isso é uma irregularidade, uma ilegalidade que fere o artigo 5o da Constituição. É difícil avançar nesse debate porque é uma questão política e de interesses pessoais, já que muitos deputados e senadores são concessionários de rádio e televisão. Tudo o que questiona as regras e políticas de comunicação enfrenta resistência dos parlamentares e os empresários se recusam a comparecer nas audiências para discutir o arrendamento para as igrejas, ainda que nos contratos de concessão não exista a possibilidade de venda ou transferência de espaço para terceiros. A audiência que fizemos sobre o tema, à qual os empresários não compareceram, serviu para demonstrar que esse é um assunto que interessa à sociedade. Logo depois, entrei com uma ação no Ministério Público para que essa irregularidade fosse corrigida e que os responsáveis fossem cobrados, além de uma proposta de controle por parte do Tribunal de Contas da União. As emissoras vendem um espaço precioso, horas e horas do dia, e televisão é um serviço público. Nem mesmo o Congresso, órgão fiscalizador do Executivo, se interessa. Os parlamentares são coniventes.”

 

Geraldo Leite, sócio-diretor da Singular, Arquitetura de MidiaCrédito: Arquivo M&M

Consultor

“Arrendar espaços em emissoras é uma prática comum e antiga no País. São inúmeros casos a registrar, desde o histórico Programa Casé, no rádio, quando grandes cantores se apresentavam ao vivo, e o também exemplar caso do programa Silvio Santos, que começou alugando espaço até conseguir uma concessão especial de TV, quando da derrocada da Rede Tupi. O que se passa no momento — salvo raros exemplos de segmentos de público não atendidos pelas emissoras — é um exagero, uma distorção das políticas de comunicação, uma vez que TVs e rádios são concessões públicas e não deveriam ter seu espaço revendido, como um simples negócio a mais. Essa prática fica ainda pior quando o arrendamento é feito por igrejas, que ocupam o nosso espaço, com base no rico dinheirinho subtraído das parcelas de público mais simples e menos esclarecidas. Uma concessão governamental só deveria ser dada para grupos que tenham capacidade de produzir uma programação e se autossustentar legitimamente. É uma prática tão criticável como a dos ‘partidos de aluguel’. Canais que fazem assim, ou que se acostumaram a fazer assim, também deveriam ser caracterizados como ‘canais de aluguel’ e não simplesmente trair ou enganar o seu público ou cliente.”

 

Gleidys Salvanha, diretora-geral de mídia e atendimento da PublicisCrédito: Divulgação

Agência

“Os programas religiosos são importantes como fonte de receita de algumas emissoras brasileiras de televisão. É sabido que a audiência desses programas é baixa e isso não fica restrito ao seu período de exibição, comprometendo as audiências próximas do horário. Além disso, um telespectador nada interessado no conteúdo religioso que esteja zapeando pela TV pode ser afugentado ao passar pelo canal, e dificilmente vai voltar para ver se o programa acabou. Normalmente, a emissora também não consegue reter a audência do público fiel dos programas religiosos para as próximas atrações. Tudo isso é considerado na negociação dos espaços para programas religiosos. As igrejas e seus detentores pagam bem pela exibição de sua própria programação, tornando-se um negócio rentável para as emissoras. E as emissoras têm que se fazer valer de boas atrações anteriores ou posteriores aos programas religiosos, para tentar resgatar o público e valorizar novamente seu espaço publicitário, tornando-o atrativo para grandes anunciantes.”

 

Luiz Garcia, diretor de graduação da ESPM/SPCrédito: Divulgação

Academia

“Isso é um estranho sinalizador de uma realidade comercial, seja em estratégia ou em cash flow, das emissoras de televisão aberta que, de certa forma, estão vendendo por liquidez um horário que todo mundo supostamente desejaria comprar. A estratégia da Bandeirantes, por exemplo e por alguma razão que desconheço, trocou a lógica do risco e do retorno alto pelo dinheiro da poupança. Bem, quem tem dívidas para pagar acaba não querendo correr riscos. E eles não correm o risco da produção, já que a história está cheia de exemplos de gente que fez isso e não foi bem-sucedida. Para que transmitir um jornal nesse horário, já que eu vou perder, se posso veicular, antes ou depois, um jornal com grande credibilidade? Em vez de investir e tentar ganhar, eles escolheram ser conservadores. Por outro lado, num universo cada vez mais evangélico, de crescimento de classes populares, dar aos evangélicos o prime time não pode criar uma empatia com o canal? Para boa parte da população, a questão é relevante e isso pode ser percebido de maneira positiva.”

Matéria publicada no site do Meio&Mensagem,

na sessão Mídia,

dia 27 de fevereiro de 2012.


 

 

postado por admin em 28 de fevereiro de 2012, 15:14   |   0 comentários

Viva voz

Essa terceira semana de janeiro valeu como uma excelente pós graduação das novas práticas em vigor na comunicação.

Semana de tragédias e paródias internacionais, nacionais, locais, pessoais e até de costumes.

Nesses sete dias falamos das chuvas e incompetências no país, dum naufrágio na Itália, de um hit do Michel “ai seu eu te pego” Teló, de um suposto estupro no BBB, até do simples lançamento de um imóvel na Paraíba que chamou a atenção de “quase todos”.

Em comum entre eles, um engajamento que supera a simples exibição natural da mídia – uma rédea que foge ao controle, sentimentos que brotam e transbordam de múltiplas formas – do indivíduo, ao coletivo.

Sempre tivemos chuvas no verão, uma tragédia ou outra nesse começo do ano, um buxixo do BBB, algo esdrúxulo do Brasil e muito mais ainda, lançamentos imobiliários.

Mas agora esses fatos todos são partilhados, dissecados, comentados, ironizados, de forma simultânea aqui e em qualquer lugar do mundo. Fica mais difícil esconder no armário, desligar os refletores, apagar os registros ou fingir que não existiram.

Pelas redes sociais e pela repercussão que propiciam, cada fato, até os falsos, ganha o seu destaque e vira mídia principal.

Como numa espécie de “corredor polonês”, cada um dá o seu pitaco, solta a sua verve ou neurose e toda farinha vira bolo.

E não é só uma questão de Internet, é de sintonia, conexão, velocidade, vontade de interferir e mostrar a sua voz. Hoje dá pra fazer isso, as pessoas (a audiência) também produzem, interferem, criam, copiam; e também manipulam.

No caso das chuvas, vale a pena ver no Youtube o recado indignado ao vivo da âncora do jornal do almoço do SBT em Brasília, jornalista Neila Medeiros, sobre a situação. E vejam, a sintonia foi pela TV Aberta.

Peguem o caso do naufrágio do navio. Em pouco tempo todos no mundo souberam do capitão trapalhão, do comandante herói e até a ordem dele virou um bordão, uma camiseta, um banner…

O Michel Teló virou celebridade internacional com sua única canção tocando e sendo parodiada ou dançada em todo o canto, em todo evento, até pelos soldados israelenses.

O BBB, que é sempre repercussão pura, também teve que se defender de acusações que, verdadeiras ou falsas, maculam a imagem dos envolvidos. Como responder a isso? Como estar preparado para possíveis repercussões? Como não dar munição aos combatentes de sempre?

Pra completar a semana, numa mistura de clima do samba do crioulo doido, com uma pitada de “gente diferenciada”, ocorre um lançamento imobiliário na TV com um colunista social de João Pessoa.

O que era para ficar restrito à Paraíba e talvez à algumas dezenas de pessoas, ganhou o país, em incríveis versões bem humoradas na mídia, em eventos, em shows, nos escritórios,…

Foi uma bela semana pra quem gosta de tentar entender como funciona a mídia.

Todo o mundo teve uma grande lição, “menos a Luíza que ainda estava no Canadá”.

 

Matéria publicada no blog do Meio&Mensagem,

na sessão Digital, na coluna Ponto de vista,

dia 21 de  janeiro de 2012,

por Geraldo Leite.

 

 

postado por admin em 24 de janeiro de 2012, 14:30   |   0 comentários

Missões de Intercâmbio

Viagens promovidas pelo Grupo de Mídia visam antecipação de tendências

Realizou-se no mês de setembro mais uma viagem organizada pelo Grupo de Mídia de São Paulo ao exterior. Essas “missões de intercâmbio” têm a finalidade de aprimorar o conhecimento dos profissionais do mercado publicitário, os quais são apresentados às novas tendências da comunicação internacional, às novas tecnologias, além de terem a oportunidade de estreitar o contato direto com os grandes grupos de comunicação mundiais.

Como um dos pilares do modelo brasileiro, as “missões” promovidas pelo Grupo de Mídia mostram a determinação dos executivos e a visão de suas empresas em proporcionar uma oportunidade de crescimento profissional que amplia o conhecimento e contribui para a profissionalização cada vez maior tanto do indivíduo como destas importantes áreas nas agências e nos anunciantes, valorizando o mercado como um todo.

O Grupo de Mídia de São Paulo organiza essas viagens desde 1996. O programa tem início na primeira segunda- feira de setembro, quando é celebrado o Labor Day (Dia do Trabalho nos Estados Unidos), estendendo – se até a sexta-feira da mesma semana. Ao todo, já foram realizadas 12 viagens, sendo oito para Nova York, além de Lisboa/Madri, Tóquio e São Francisco/Vale do Silício. Este ano o destino foi Los Angeles.

O grupo de viajantes, que no início do programa cabia em um táxi, com o tempo passou a usar uma van e, agora, precisa de pelo menos dois ônibus para acomodar todos os participantes. Embarcaram sob o comando de Luiz Fernando Vieira, Vice-Presidente de Mídia da Africa e atual presidente da entidade, cerca de 50 diretores de diferentes agências de vários estados brasileiros, ao lado de 20 executivos de veículos, que nos últimos anos passaram a apoiar e a prestigiar esse movimento, como copatrocinadores das viagens.

Durante cinco dias foram realizadas 25 reuniões com grande foco no conteúdo e na visão do mercado americano sobre entretenimento. O grupo visitou grandes estúdios de cinema que atuam com múltiplos canais de comunicação como a Warner Bros, 20th Century Fox, Sony, Marvel, entre outros. Outro foco importante foram as grandes ligas esportivas americanas, como NBA (National Basketball Association), NFL (National Football League) e MLB (Major League Baseball), para verificar o trabalho das marcas no mundo do esporte, a entrega de mídia para o patrocinador e a negociação dos direitos de transmissão.

Segundo Paulo Stephan, Diretor Geral de Mídia da Talent e um dos mais experientes do grupo, tendo participado praticamente de todas as missões, nas primeiras viagens era preciso explicar quem eram, o que faziam e de onde vinham. Agora, a situação é completamente diferente e conseguir falar com grandes players deixou de ser difícil. O complicado agora é selecionar todos os convites que recebem e aproveitar ao máximo as oportunidades. “Na quase totalidade das nossas visitas, fomos recepcionados pelo presidente ou pelo CEO de cada empresa”, ressalta Stephan.

O Brasil deixou de ser conhecido apenas como o país do samba e do Carnaval. Agora, com o cenário econômico favorável e como país sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, todos olham para o Brasil como um lugar de grandes oportunidades de negócios e que ainda pode crescer muito mais. Há um grande interesse em entender a boa situação econômica brasileira de uma forma geral.

Além de conhecer in loco quais as tendências em diversas plataformas, o grupo ficou sabendo também, com antecedência, sobre o interesse de várias empresas em investir no Brasil bem como “exportar” nosso conhecimento e experiência na área esportiva e cultura.

Os executivos Jonathan Taplin e Henry Jenkins da University of Southern Califórnia, por exemplo, foram generosos nos elogios ao país e prometeram a realização de uma grande conferência de estudiosos do Annemberg Inovation Lab no Rio de Janeiro, em agosto de 2012.

O Grupo AEG, por exemplo, que já fincou os pés no Brasil e está construindo em parceria com a Odebrecht, o estádio de Recife para a Copa do Mundo, quer ampliar sua participação e montar uma rede no Brasil, fixando escritório na cidade de São Paulo.

Também a NBA está interessada em fixar residência no país e já escolheram a Netshoes para ser a loja oficial de seus produtos, além de manterem contato com a Liga dos Esportes no Brasil para o desenvolvimento de todos os seus eventos.

Do ponto de vista do anunciante essas viagens agregam muito valor à sua relação com a agência. Muitas das agências realizam um pós-evento fechado para seus clientes, onde apresentam e difundem as novidades conhecidas na viagem. O próprio Grupo de Mídia costuma realizar um evento para apresentar uma síntese das novidades aos que não tiveram oportunidade de participar diretamente da experiência.

“A viagem do Grupo de Mídia é uma oportunidade única no mercado de ampliar o conhecimento na área e no universo de contatos com empresas com quem pode desenvolver negócios para nossos clientes. Além disso, é um momento excelente de integração entre os principais profissionais da área que só fortalece o mercado de mídia brasileiro”, comenta Daniel Chalfon, Vice-presidente de Mídia da Loducca.

Segundo Geraldo Leite, sócio-diretor da Singular e responsável pelo conteúdo das viagens do Grupo de Mídia há três anos, o local de destino é escolhido pela diretoria do Grupo de Mídia, levando em conta qual mercado pode acrescentar mais, já que o principal objetivo é promover o desenvolvimento profissional da categoria.

Matéria publicada na seção Tendências da CENP EM REVISTA,

na edição de Dezembro de 2011

postado por admin em 19 de dezembro de 2011, 21:28   |   0 comentários

2011: ano de avanços e solavancos

Um ano mais feminino. Casa sob nova direção, onde se imaginava que estaria mais bem cuidada, florida, perfumada, com boa sorte e com boa imagem no mundo, mas que, quando se olha para dentro, só se vê briga na cozinha, discussões em diferentes línguas, vizinhos que reclamam; enfim, grandes questões históricas, permanentes, mas que tendem a ser tratadas como num tribunal de “pequenas causas”.

O mercado deve terminar com um crescimento um pouco menor que 10% e, como numa novela, a TV aberta (seja ela um bandido, seja um mocinho) sai sempre bem na foto.

Levando na esportiva

Cada vez mais, com Copa e Olimpíada chegando, somos o país do futebol e do esporte. Aparentemente, vencemos a batalha dos estádios bem na prorrogação do segundo tempo, mas resta saber se nos classificaremos também nos serviços e na mobilidade. A partida de estreia foi quente e quase detona o Clube dos 13. Ainda assim, a Globo levou. (mais…)

postado por admin em 13 de dezembro de 2011, 17:21   |   0 comentários

Deletaram o futuro!

Na semana passada tivemos um belo evento pelos 25 anos da ANER, no Teatro Alfa, em São Paulo. Noite caprichada, dirigida pelo Roberto Muylaert e com um discurso interessante de outro Roberto, o Civita, contando a história da formação da associação.

A atração da noite foi a extraordinária Orquestra Ouro Negro com músicas do Moacyr Santos, tocando de forma exclusiva para a gente (e isso é raríssimo), de uma maneira brilhante e pena que poucos sabiam ou tinham interesse em conhecer, pois muita gente saiu antes.

Ao final, todos recebemos o livro “história Revista” que faz um belo apanhado da evolução do mundo e do Brasil, sob os olhares das Revistas.

O que me encantou também e tá lá, escondido no finalzinho da Revista, é o artigo do Thomaz Souto Corrêa, chamado “O futuro não existe”. Como assim?

É isso mesmo. Com sua verve e jeito bom de escrever, o Thomaz refaz o percurso dele em descobrir o futuro do meio e as várias tentativas de se adivinhar o que virá.

Conta primeiro de um modelo que viu 15 anos atrás na MPA, meio Tabletão, onde se ia fisicamente até uma “banca eletrônica” , encaixava-se o produto numa máquina tipo de compra de salgadinhos, você apertava as teclas das revistas ou das partes que queria e lá caia  um pacotão dessa “revista do futuro”.

Depois veio um outro protótipo, junto com o Negroponte do MIT, com uma tela de vidro e uma moldura de plástico que também não chegou lá. Tudo isso até surgir a solução de fato, o Ipad, apresentado pelo Steve Jobs.

É por tudo isso que temos que dar uma banana para os tais “expertos” que dizem saber como será o futuro. Como é ridículo ver esses saberetas vomitando verdades que logo mais serão superadas por novidades tecnológicas que ninguém previa. Tudo bem que o Ipad possa cumprir com eficiência uma série de funções da mídia impressa e ainda melhor, mas ele não é uma Revista ou Jornal – é mais que isso, e não sendo essa a função básica, o modo de consumo pode também não ser a melhor solução para o futuro – muito embora hoje seja.

O amanhã só amanhã – o hoje está aqui, passa pela gente, se não for bem feito nem chega lá, e se a gente chegar lá, já garantimos o futuro, porque se servisse pão de ontem, a gente passava amanhã. Mas não, é nóis na fita, nóizinhos, nós fazemos o futuro, digo, o presente, pois  o hoje, vai dar no amanhã; e o amanhã… amanhã a gente vê.

Matéria publicada no blog do Meio&Mensagem,

na sessão Digital, na coluna Ponto de vista,

dia 29 de novembro de 2011,

por Geraldo Leite


 

 

postado por admin em 2 de dezembro de 2011, 17:16   |   0 comentários

As tais balas de pessoas estranhas

A história da nossa comunicação é marcada pela disputa ou digamos assim, pacto, entre conteúdo & comercial ou entre editorial & publicidade.

Para ter a melhor informação ou o melhor conteúdo, fazemos um combinado: aceitamos os anúncios ou comerciais e o preço da informação ou da diversão sai mais barato – por vezes, gratuito.

É a tal da relação “igreja & estado” que foi implantada e os veículos mais sérios nos convenceram da necessidade de rezar por esse credo. Para aquilo que as redações preferem não aceitam assumir, convencionou-se carimbar como “informe publicitário”.

Quando não havia canais suficientes, essa era a regra do bom senso.

Só que o tempo hoje é outro e como a tecnologia é muito mais acessível, novas variações desse “pacto” tem sido formadas, ou, por vezes, tentadas.

Aliás, com tantos canais e com a dispersão inevitável da atenção, muitos anunciantes, para tentar garantir uma lembrança especial, começaram a incentivar soluções menos convencionais; ou seja, que possam explorar também a credibilidade que uma comunicação “não comercial” apresentaria.

Com tantos canais disponíveis, dá pra ter soluções puras de comunicação de produto, como também exclusivas de conteúdo; depende do interesse do cliente, ou do bolso do consumidor.

Nesse universo de opções, tem surgido ainda interesse por soluções intermediárias que poderíamos chamar de: “conteúdos dirigidos” (ao interesse de determinada marca) ou “comerciais de entretenimento” (uma espécie mais “light” de falar bem de um produto, hábito ou categoria, ou passar uma imagem).

Tudo isso ainda é pouco quando se pensa no futuro das redes sociais. Lá essa questão aflora, pois estamos como pessoas físicas, conversando com “amigos”, mas numa mistura onde o lado pessoa jurídica, comercial ou até político, convive lado a lado.

São momentos em que o “pacto” parece já estar superado, como se todos fossemos maduros o suficiente para distinguir o desejo real / necessidade, daquilo que somente te empurram.

Mas será que de fato, como meus pais já me diziam, não devemos recusar balas de pessoas estranhas?

 

Matéria publicada no blog do Meio&Mensagem,

na sessão Digital, na coluna Ponto de vista,

dia 14 de novembro de 2011,

por Geraldo Leite

 

 

postado por admin em 17 de novembro de 2011, 21:11   |   0 comentários

Porque hoje é Sábado

Pra mim, o jornalismo de fim de semana ainda é um assunto mal resolvido. Não acho que é o caso da mídia impressa, principalmente das Revistas semanais de informação, onde esses dias marcam o momento da virada, do respiro, da contribuição de fato (pelo menos elas tentam). Também não é tanto um problema dos Jornais, principalmente nas edições de Domingo; mas isso, é claro, varia de jornal para jornal.

Já no caso das TVs e também das Rádios noticiosas, é aquela morneira de sempre: faltam assuntos (o que é lógico e natural, já que as pessoas não trabalham!), mas o tempo de duração dos Telejornais ou das edições das manhãs do jornalismo das Rádios no Sábado, continua o mesmo.

Os Telejornais das grandes redes, por exemplo, praticamente só trazem matérias frias, como que a provar que eles não têm como fabricar notícias e daí tome lados softs, matérias que se arrastam e não há lógica que justifique porque esses assuntos merecem ganhar destaque no horário mais nobre da emissora.

Chegam a um ponto tal, que quem costuma assistir freqüentemente (meu caso), já consegue antecipar que tipos de matérias virão, qual a política dos breaks, que tipo de chamada entrará, etc e tal. Tudo isso como reflexo de um pressuposto errado: que a vida das pessoas no Sábado continua a mesma de durante a semana – o que se reflete na grade de programação.

No caso das Rádios de notícias (All News) a situação é bem semelhante, se não pior.
Frente ao tempo exagerado de dedicação de espaço para o jornalismo noticioso no Sábado (também igual ao de 2ª. à 6ª.) e frente também ao fato de existir um menor volume de prestação de serviços – o que também é natural devido ao menor volume de trânsito – as Rádios tem virado uma espécie de porta-vozes das áreas de RH das empresas. E lá vem os depoimentos, “cases” de inspiração, fórmulas de sucesso,… – nada contra o tema, mas para mim isso deveria fazer parte de outro programa e em outro horário, pois não atende à maioria dos ouvintes.

Frente à isso, pergunto: não está na hora de repensar a duração do Jornalismo nos Sábados? Não seria muito melhor para as empresas, para a audiência e para os próprios jornalistas, que esse tempo fosse mais enxuto, que se pensasse em espaços menos “engessados”, abrindo espaço para outros temas ou gêneros a explorar? A família “esgotada”, agradece.

Matéria publicada no blog do Meio&Mensagem,

na sessão Digital, na coluna Ponto de vista,

dia 25 de outubro de 2011,

por Geraldo Leite

 

postado por admin em 27 de outubro de 2011, 16:42   |   0 comentários